O Dilema de Pirro.

E, então, quando, no último momento da última batalha, estava pronto para atravessar com minha lança o peito do chefe dos inimigos, olhei em volta para contemplar meus companheiros de luta.

Formavam um bando de salteadores e bandidos. Alucinados, fediam a ódio santo ou a ódio puro. Facínoras aos quais eu não poderia apresentar meu filho e dos quais deveria proteger minha bolsa, minha esposa e minhas filhas. Dos quais deveria proteger a mim mesmo.

E, no entanto, vencida a guerra, dali para frente, era com eles que eu deveria partilhar o futuro.

Em pouco tempo, meus aliados tornar-se-iam a oitava praga do meu povo. Frente a qual, o vencido de hoje tornar-se-ia o mártir de amanhã. Seria em sua memória que as gerações buscariam o exemplo e o ensinamento.

A vitória me derrotaria.

Abracei o inimigo, cofiei suas barbas e agarrando-me a um fio de esperança, questionei-me: ainda haveria tempo?

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