Oficial de plantão

oficial de plantão

Meu nome é Sergio Saraiva, para desgosto dos meus homônimos, não tenho outro de pia.

Nasci em uma São Paulo que era a “cidade que não podia parar” e, no entanto, também era uma província com chácaras e ruas de terra como as que rodeavam a casa em que morávamos. O Brasil era dirigido por um presidente eleito democraticamente, acabara de se mudar para Brasília e ainda comemorava a sua primeira Copa do Mundo. Reconheci-me como brasileiro, aos 10 anos, quando ele ganhou a terceira. Mas, então, o presidente era um general que mandava matar outros meninos, nas matas do Araguaia.

Sou ex-aluno do Vocacional do Brooklin – o “Oswaldo Aranha” e dos salesianos de Dom Bosco do Liceu Coração de Jesus – onde, hoje, fica a cracolândia. Culturalmente sou católico – herança de família, racionalmente ateu e filosoficamente agnóstico.

Logo, não faço proselitismo de nada, a não ser do meu amor… pelas causas, pelas mulheres e pelos cães.

A ditadura formou a minha meninice, adolescência e juventude. Aprendi a marchar antes de ter aprendido a resolver equações do primeiro grau. Por consequência, tornei-me simpático à esquerda, ao samba e ao blues. E a tudo que carrega em si um trago de tristeza. Sou um homem das “décadas perdidas”. Fui trabalhador químico do ABC paulista, estudei para ser professor e, hoje, ganho a vida como um operário do conhecimento.

Neste mundo, vasto mundo das palavras, dos verbos e dos versos vagabundos, meu versículo: empilho predicados inúteis porque não aprendi a empilhar tijolos.

Este espaço se destina a guardar reflexões ensimesmadas sobre as coisas que estão no mundo e que eu preciso apreender e também a guardar pequenos momentos de devaneio irresponsável quando me permito o auxílio luxuoso da poesia.

9 comentários

  1. Parabéns pelo texto: Lula imperdoável. Você conseguiu escrever com precisão o que eu vinha percebendo, mas não conseguia traduzir em palavras com tanta clareza como vc fez. Tá claro! A classe média e alta brasileira são um montão de informação sem coração. Estão em eterna recessão afetiva. Seu blog é um carinho, um afago pra gente! Vai ser um endereço sempre visitado. Obrigada viu!

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