Sete dias na República da Insânia

No curto espaço dos seis primeiros dias da semana, vimos desconstruídos os céus e as terras tomados a sangue pelos nossos pais das pedras em que os acorrentaram. Somos novamente prisioneiros e escravos pétreos. E petrificados assistimos os plutocratas enviarem nossas crianças ao trabalho nas pedreiras. 

Ouvimos canalhas zombando da morte dos nossos mortos e das nossas gargantas emudecidas. Indignamo-nos impotentes diante do nepotismo que confunde a sagrada família com a propriedade dos campos do senhor e dos frutos da terra prometida por direito divino. Ensurdecidos pelos gritos da injustiça, quedamos sob as sentenças dos juízes mancomunados com os nossos acusadores em um conluio farsesco, onde nossa condenação já estava previamente combinada. 

Tomaram de nós, como butim de batalha, as economias de uma vida, relegando nossos velhos à miséria. E, por fim, tornaram pecaminoso o direito aos dias santos.

No curto espaço dos seis primeiros dias da semana. O desacato e o escândalo sucedendo um ao outro em uma vertigem ensandecida. Assim, anestesiados de dor, entre o nojo e o desencanto, aguardamos apenas a benção do sábado, sem saber como pagaremos as dívidas que nos cobrarão na próxima segunda-feira.


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