Bolsonaro – o herdeiro de todos nós

Bolsonaro recebeu 13 pontos percentuais de votos, desde agosto. Três deles antes eram de Lula. Quatro da soma de outros candidatos e 4 pontos de Marina Silva – os outros dois  pontinhos são de Alckmin.

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A pesquisa Datafolha – Lula o doador universal

Em 22 de agosto de 2018, a Folha de São Paulo trouxe a última pesquisa em que Lula aparecia como candidato. Tinha então estrondosos 39% de intenções de voto. Bolsonaro tinha 19% Marina 8%, Geraldo Alckmin 6%, tinha Ciro Gomes 5%. Brancos e nulos 11% e Não Sabe 3%

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Mas sua candidatura seria impugnada. Então a Folha fazia uma nova avaliação. Agora sem Lula. Quem herdava seus votos?

Marina herdava 8 pontos percentuais.

Ciro Gomes herdava 5 pontos percentuais

Haddad herdava 4 pontos percentuais

Bolsonaro herdava 3 pontos percentuais

Alckmin herdava 3 pontos percentuais

Outros candidatos herdavam somados 2 pontos percentuais

Não sabe aumentava em 3 pontos percentuais

Bancos e nulos subiam 11 pontos percentuais

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Repare-se que todos herdavam votos de Lula. Inclusive Bolsonaro e Alckmin. E como a margem de erro era de 2 pontos percentuais, a herança de Bolsonaro e Alckmin estavam fora dessa margem. Eram, portanto, reais.

Não é estranho que Bolsonaro receba votos de Lula – Alckmin menos – trata-se daqueles eleitores de Lula, não do PT. Sem a imagem de Lula, buscam o candidato que mais se aproxime de suas convicções. Bolsonaro e Alckmin sempre representaram os candidatos da ordem e da religião. Atraem, portanto, esse público. Ele existe no eleitorado de Lula.

O quadro sem Lula era então Bolsonaro com 22%, Marina 16%, Ciro Gomes 10%, Geraldo Alckmin 9% e Haddad 4%. Brancos e nulos 22% e Não Sabe 6%.  Outros candidatos somavam 11 pontos percentuais.

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A Folha também avaliou o potencial de transferência de votos de Lula para Haddad. 49% dos eleitores diziam que votariam ou poderiam votar em um candidato apoiado por Lula.

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Então, se aplicássemos esse percentual ao índice de intenções de voto de Lula – 39% – Haddad herdava um índice potencial de intenção de votos de algo perto de 19%.

IBOPE – 03 outubro 2018

É esclarecedor analisarmos como ficou o quadro de intenções de voto da pesquisa do IBOPE de 03 de outubro de 2018 e compararmos com o que o Datafolha mostrava em 22 de agosto. Ainda com Lula candidato.

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Haddad o herdeiro de Lula

Haddad está com 23%, nas pesquisa IBOPE. Logo, confirmou-se a transferência de voto de Lula para ele e não é estranho que Haddad tenha parado de crescer. Atingiu até um pouco mais do que era esperado – de 19% para 23%.

Ciro Gomes – está com os mesmos 10% previstos pelo Datafolha de agosto. Nada acrescentou. Nada devolveu a Haddad dos votos que recebeu de Lula – 5 pontos percentuais.

Os brancos e nulos retornaram ao patamar de antes do impedimento de Lula. Regrediram 11 pontos percentuais. Para onde foram esses votos?

Provavelmente foram para Haddad que cresceu 19 pontos percentuais desde o cenário sem Lula do Datafolha de agosto. Os 11 pontos dos brancos e nulos mais 8 pontos percentuais que provavelmente recuperou de Marina Silva.

Os indecisos –  votos não sabe – mantiveram os 6% do cenário sem Lula. Eram 3% com Lula. Continuam sem ter candidato 3 pontos percentuais que antes votavam Lula.

Bolsonaro herdeiro de todos nós

Bolsonaro acabou sendo um sugador de votos de todos os candidatos.

Em 22 agosto, na pesquisa Datafolha, Bolsonaro tinha de seu 19%. Mas Bolsonaro disparou para 32%, na pesquisa do IBOPE de 03 outubro. Cresceu, portanto, 10 pontos percentuais a mais do que a Datafolha previa em agosto, para o cenário sem Lula – 22%. Já herdava aí 3 pontos percentuais de Lula.

Bolsonaro tem dois saltos na sua trajetória. Após o atentado que sofreu – cresceu 6 pontos percentuais acima do cenário Datafolha. E após as manifestações do #Elenão – quando cresceu mais 4 pontos percentuais.

Nada a estranhar. O atentado colocou-o na condição de vítima e lhe deu uma grande exposição midiática. E o #Elenão assustou os antipetistas a ponto de eles passarem para o barco de Bolsonaro, ainda no primeiro turno.

Mas de onde vieram esses votos a mais de Bolsonaro?

Provavelmente, uma parte veio do total dos outros candidatos somados – majoritariamente do campo da direita – que cederam 4 pontos percentuais. O voto útil já no primeiro turno. Dois pontos percentuais são de Alckmin.

Agora, o grosso mesmo veio de Marina Silva. Marina derreteu 12 pontos percentuais desde o Datafolha sem Lula. Entregou 4 pontos percentuais para Bolsonaro. Além dos 8 que havia devolvido para Haddad. Os quatro pontos que passaram para Bolsonaro eram de Marina mesmo – não herdados de Lula.

Os marinistas tornam-se bolsonaristas. Mas Bolsonaro é herdeiro de todos os candidatos, inclusive de Lula.

 

 

 

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