E se Bolsonaro estiver fora?

Eleição sem Bolsonaro é fraude? Eis uma pergunta que, até por prudência, deveríamos começar a fazer.

bolsonaro1

Inevitável pensar em Tancredo Neves. O quanto não sabemos do quadro clínico de Bolsonaro?

Qual a real extensão dos prejuízos que o atentado a faca trouxe para a saúde de Bolsonaro. Qual o real comprometimento de sua capacidade física? Qual o prazo para a completa recuperação?

Essas questões, creio eu, precisam ser feitas e as reposta anteriores, dadas a elas, deveriam ser reavaliadas. Principalmente depois da nova cirurgia de emergência a qual foi submetido em 11 de setembro de 2018 – uma semana após ter sido ferido.

Bolsonaro foi submetido a uma colostomia – a recuperação pode chegar a 90 dias. Não foi uma cirurgia simples – pelas fotos divulgadas – tratou-se de uma cirurgia com abertura do abdômen. E agora nova complicação. É de se esperar um prazo mais longo de recuperação.

Bolsonaro tem recall suficiente para chegar à eleição de primeiro turno – daqui a 24 dias – e passar para o segundo turno. Sem maiores dificuldades trazidas pela sua internação hospitalar. Mas há o segundo turno. E já se convencionou dizer que o segundo turno é uma nova eleição. Nova eleição que se dará 3 semanas após, em 28 de outubro de 2018. Quarenta e cinco dias, ao todo, a partir daqui – metade do tempo necessário, no caso de uma recuperação mais demorada.

Como ficaria uma campanha eleitoral feita de dentro de um hospital? Enquanto outra se desenrola nas ruas.

Debates na televisão? Como poderiam ser realizados?

Uma eleição com um candidato em convalescência e com dificuldade de se movimentar, mas podendo fazer alguma aparição pública, é uma coisa. Um candidato ainda no hospital aguardando alta médica é outra muito diferente. Dúvidas começariam a surgir.

Qual o grau de fidelidade de Mourão e de Levy Fidelix do PRTB à causa bolsonarista? Bolsonaro do PSL. Dois minúsculos partidos – sem qualquer estrutura – com um candidato muito maior que eles.

Mas um candidato problemático; mesmo quando em plena condição física – com uma campanha eivada de ingerências familiares. Qual a coesão dessa estrutura, caso Bolsonaro necessite de um tempo longo de recuperação para poder reassumir pessoalmente a campanha?

Isso supondo que Bolsonaro apresente um quadro de recuperação estável. Mas, e se surgirem maiores complicações? Uma infecção oportunista pode mudar todo o quadro eleitoral. Mais uma vez, impossível não pensar em Tancredo Neves. Ressalvadas todas as diferenças pessoais entre os dois políticos. E os prognósticos, obviamente.

Mas, e se Bolsonaro estivesse realmente fora?

Bolsonaro transfere votos? O general Mourão seria, em situação felizmente menos trágica do que em 2014, a Marina Silva de Bolsonaro?

Como se comportariam seus eleitores? Principalmente os eleitores fardados? Com fardas reais e imaginárias.

Eleição sem Bolsonaro é fraude?

Eis uma pergunta que, até por prudência, deveríamos começar a fazer.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s