A luta contínua

a luta contínua

Tenho mantido as janelas fechadas. E a porta da fachada.

Não abro cortinas e, tampouco, as folhas dos jornais.

Telas escuras, sonhos em clausuras – provocações e nada mais.

Versos entalados na garganta e passos atolados em lodaçais.

Quando tudo já foi dito e não faz sentido repetir. Tudo já foi rimado.

Prosseguir quando tudo já foi feito e resulta inacabado.

Desejos de fuga que cada madrugada e sua insônia acalentam e o dia subjuga.

Estes olhos já sabem da estrada e da chegada que leva a outra vez.

Em cada talvez, há outro nada. Todo novo é de novo; tudo é vizinho. Já conheço.

O caminho já trilhado leva a lugar algum. Ao lugar comum do recomeço – reconheço.

Tudo tão constante. Como antes, o mesmo fundo do poço e a mesma escada.

A mesma corda no pescoço. As mesmas afrontas me constrangem.

As minhas mesmas falanges contra as mesmas facas e suas pontas afiadas.

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