Rescaldos de um domingo acalorado

Ecos da polifonia de um domingo quente ainda foram ouvidos na terça-feira – 10 de julho de 2018 – ressoando dos coturnos ritmados da tropa de choque que saiu às ruas em defesa prévia de Sergio Moro.

Moro

A presidente do STJ – ministra Laurita Vaz – pinçou um pedido de habeas corpus a favor de Lula, dos vários entrados no tribunal – um com o qual pudesse desancar a decisão do desembargador Favreto – que mandara soltar Lula – e ao mesmo tempo, enaltecer Moro – que, do alto de suas férias lusitanas, moveu o Judiciário para impedir tal soltura.

Embora tenha posteriormente, de uma varada só, negado igualmente a quase centena e meia de outros pedidos de habeas corpus impetrados em favor de Lula, para efeito político, bastava aquele.

Ao negar o pedido, Laurita Vaz aproveitou a oportunidade e chamou a decisão de Favreto de “inusitada e teratológica”. Acusou a de “flagrante desrespeito” e de causar “intolerável insegurança jurídica”.

Quanto a Moro, não poupou elogios.

“Assim, diante dessa esdrúxula situação processual, coube ao Juízo Federal de primeira instância, com oportuna precaução, consultar o Presidente do seu Tribunal se cumpriria a anterior ordem de prisão ou se acataria a superveniente decisão teratológica de soltura.”

A presidente do STJ, no mínimo, pode ter sido deselegante com vários colegas. Não eram as ações de Moro e de Favreto que estavam em causa.

Se assim fosse, creio que caberia ao corregedor do CNJ – ministro João Otávio de Noronha – se pronunciar. Noronha que, aliás, determinou abertura de procedimentos para apurar as condutas do Moro, Favreto e Gebran Neto.

Há ainda o desembargador Humberto Martins que substituirá Noronha, a partir de agosto, e é quem na prática cuidará do caso.

Ambos – mais a ministra Carmén Lúcia, atual presidente do CNJ e o Ministro Dias Toffolli – seu substituto, também a partir de agosto – por certo, não necessitam de mais as opiniões da ministra Laurita Vaz sobre essa questão que ainda irão apreciar.

No mesmo dia, a Polícia Federal informa que irá investigar ameaças ao juiz Sergio Moro. Desconheço o teor de tais ameaças. Conheço as ameaças direcionadas ao desembargador Favreto.

gauchada

Favreto que, inclusive, teve revelado o número de seu telefone particular nas redes sociais por subcelebridades já notórias do antipetismo. Em relação a isso, não se tem notícia alguma de ação da valorosa polícia.

Tanta movimentação no entorno de Moro sinaliza, contudo, o grau de preocupação que suas últimas audácias – ou ações desesperadas – produziram. Foi necessário demonstrar o apoio inequívoco do qual o juiz dispõe.

Não sem motivos.

Como noticia a Folha de São Paulo, Moro tem uma lista de afrontas a tribunais superiores ainda a serem cobradas.

E duas reportagens devastadoras – de o Globo e do Valor – que se tomadas ao pé da letra, poderiam configurar obstrução da Justiça de sua parte.

No Globo, Moro pessoalmente telefona ao delegado da Polícia Federal em Curitiba para que ele não cumpra a ordem de soltura de Lula.

moro pf

Na reportagem do Valor, o presidente do TRF 4 – desembargador Thompson Flores e o ministro da Justiça – Raul Jungmann – se envolvem em conchavos nada republicanos para manter Lula na cadeia.

Quebra de hierarquia e descumprimento de ordem judicial.

Teremos de aguardar – nós os comuns dos mortais – o fim do recesso do Judiciário para sabermos em que tudo isso resultará. Mas a tropa de choque de Moro aparentemente já saiu às ruas para garantir – ao custo de suas biografias – que resulte, mais uma vez, em nada além de rescaldos de um domingo acalorado.

Anúncios

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s