Lula e o PSBD de Joaquim Barbosa

O PSDB se desmancha e carrega água para o moinho de Joaquim Barbosa. Com Lula na frente em São Paulo, Joaquim Barbosa ganha força como opção da direita e pode levar ao surgimento da chapa PSBD.

G1 SP

Para entender o significado da pesquisa IBOPE Bandeirantes sobre a intenção de votos nas eleições presidenciais de 2018 é necessário comparar o resultado atual com a última vez em que Lula e Alckmin se enfrentaram – isso no já distante ano de 2006.

São Paulo é um Estado onde Lula e o PT sempre encontraram dificuldades eleitorais. Nas últimas eleições, inclusive, desfez-se a “mancha vermelha” que correspondia ao voto petista do antigo e já saudoso ABC paulista – a região fortemente industrializada que circunda a capital – berço do PT. Cada vez menos industrial.

Por isso, uma vitória de Lula no Estado, segundo a pesquisa IBOPE Bandeirantes, seria algo realmente a se comemorar. No entanto, o resultado da pesquisa mostra-se muito mais para lamento do PSDB do que para comemoração do PT.

E mostra também que, além da eleição estar, neste instante, muito mais pulverizada, surgiu uma terceira força eleitoral em São Paulo – Bolsonaro.

Em 2006, utilizando-se dados do TSE para os resultados do 1º turno das eleições presidenciais, nota-se a clássica polarização paulista entre PT e PSDB. Juntos, Lula e Alckmin somaram 91% dos votos válidos. Com majoritária vantagem para Alckmin – 54,2% dos votos válidos. Lula com 36,8% e Heloísa Helena – alguém ainda se lembra dela? – em um distantíssimo terceiro lugar com apenas 7,1% dos votos válidos.

TSE 2006

Se aplicássemos o mesmo cálculo para os resultados da pesquisa IBOPE-Bandeirantes, hoje teríamos Lula com 25,6% dos votos válidos, Alckmin com 19,4% empatado com Bolsonaro com igualmente 19,4%.

IBOPE BAND abr18

Somados os três teriam 64,4% dos votos válidos e os restantes 35,6% dos votos seriam divididos por uma multidão de outros 10 candidatos pontuando na pesquisa – de Joaquim Barbosa e Marina Silva, cada um com 11,4% dos votos válidos, a Rodrigo Maia e Manuela D’Ávila e até Fernando Collor – 1,3% cada um.

Claro está que a campanha ainda não ocorreu. E comparar uma pesquisa com os resultados finais de uma eleição carece de uma maior razão de correlação.

Mas, mais uma vez vai ficando claro que o PSDB se desmancha na sua principal base – São Paulo. É esse desmanche que melhor explica a vitória de Lula no Estado; mais do que uma repentina tendência petista paulista. Os votos antipetistas dos paulista se dividiram  ao meio entre Alckmin e Bolsonaro. Os dois tiram votos um do outro e Lula acaba estatisticamente na frente.

Agora, cabe também o raciocínio: se Alckmin não ganha nem em sua casa, empata com Lula onde? A participação de Lula nas eleições é uma incógnita, mas, por si mesmo, Alckmin vai se tornando inviável eleitoralmente.

Logo, é bom prestarmos em Joaquim Barbosa. Ele pode acabar sendo o “plano D” da plutocracia paulista. Não exatamente substituir o PSDB de Alckmin, mas ocultá-lo em algum lugar de uma chapa com o PSB e fazer surgir o PSBD de Joaquim Barbosa.

 

 

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