O que enxerga a direita?

Optando por Alckmin, a direita brasileira verá as eleições de 2018 se transformarem em uma disputa entre Bolsonaro e o “poste de Lula”. 

olhar a direita

O PT só perde para o PJ

Vem tornando-se algo de algum modo tedioso analisar as pesquisas de intenções de voto para as eleições de 2018. Lula ganha em qualquer cenário. Sua vantagem se amplia a cada pesquisa e, dada a devassa a que já foi submetido, não parece haver no horizonte escândalo que possa abalar essa tendência. É o que mostra a pesquisa Datafolha de dezembro de 2017.

Data Folha 4 dez17

Logo, hoje, o único adversário capaz de derrotar Lula é o PJ – Partido do Judiciário. Mas não nas urnas, e sim em golpe de mão que impeça Lula de ser candidato.

A direita escolheu errado o seu superherói

E embora essa seja uma carta na manga do campo da direita – basta perceber que o Datafolha traz sondagens com e sem Lula – seus resultados podem não favorecer esse espectro político.

O campo da direita escolheu errado seu super-herói. Vai de Alckmin.

Sua melhor aposta era claramente Luciano Huck, mas, aparentemente, o campo da direita está alheio à realidade da rua. E as ruas trazem um fenômeno a ser considerado – Jair Bolsonaro. E Jair Bolsonaro, pelos compromissos assumidos com seu eleitorado – o “apolítico revoltado” – não veste o figurino que a direita deseja. Tampouco é confiável que pudessem enfiá-lo em tais veste depois de eleito.

Huck seria a opção para o discurso de centro direita “moderninho”. Recebeu ordem para retirar sua candidatura a candidato. Com ele fora, a melhor opção da direita seria Marina Silva – a candidata do PBI – Partido do Banco Itaú.

Basta ver o que ocorre quando Lula é impedido. No primeiro turno dá Bolsonaro em primeiro lugar e Marina Silva em segundo. O que é altamente significativo. Alckmin não disputaria o segundo turno. Ficaria atrás de Ciro Gomes.

Data Folha 2 dez17

Interessante perceber que Bolsonaro e Lula correm em raias separadas. Bolsonaro não herda votos de Lula. Bolsonaro tem algo em torno de 18% de intenções de voto com Lula e passa a 21% sem Lula. Cresce 3 pontos percentuais. A pesquisa tem uma margem de erro de dois pontos percentuais.

Marina Silva ainda é, de alguma forma, herdeira de Lula. Cresce de algo próximo a 10% com Lula para 16% de intenções de voto sem Lula. E, principalmente, ainda ganha de Bolsonaro no segundo turno de 46% a 32%. Mas Marina está em queda e Bolsonaro em franco crescimento.

Data Folha 1 dez17

Esse é o dilema do campo da direita. Tem agora dois candidatos a quem rejeita e escolheu o candidato com menos potencial de vitória. A menos que exista alguma virada de posição ou de mesa, fizeram claramente a opção errada – Alckmin.

O “poste de Lula”

Há ainda uma terceira questão a ser analisada. Em uma análise apenas estatística, sem entrar no campo da legitimidade de um governo que chegasse ao poder em uma eleição onde Lula em primeiro lugar nas intenções do eleitorado fosse impedido de participar.

Quando Lula não está nas eleições, seus votos vão majoritariamente para “ninguém”. Na pesquisa Datafolha, com a presença de Lula, há 14% de indecisos. O índice de indecisos sobe para 28% – ou seja, dobra – sem Lula, mas com Marina Silva. E vai a 35% do eleitorado sem Lula e sem Marina. Mas com Alckmin.

Data Folha 5 dez17

Ocorre que Lula ainda não foi impedido. Logo, o eleitorado não considera a hipótese de ter de votar não em Lula, mas em um candidato apoiado por ele. Porém, quando perguntado, 50% respondem que votariam com certeza ou poderiam votar em um candidato apoiado por Lula. Repare-se que se trata do eleitorado pesquisado como um todo e não apenas dos apoiadores de Lula. Logo, existe a possibilidade palpável de Lula transferir todo ou grande parte da sua intenção de votos para um novo “poste”. Situação essa que, tomando os atuais índices de intenção de voto de Lula e Bolsonaro, colocaria Marina Silva, mais uma vez, em terceiro lugar no primeiro turno. E alijaria a direita de ter, pela primeira vez, um seu “candidato natural” na disputa pela presidência.

Data Folha 3 dez17

Difícil fazer previsões, neste instante, sobre cenário assim tão hipotético. Mas dada a real possibilidade do impedimento de Lula, tal cenário é algo que deve estar sendo considerado com muito cuidado e sigilo pelos analistas políticos dois lados da nossa polarização política.

O que enxerga a direita?

A eleição sem Lula é melhor para Bolsonaro, mas pouco ou nada mudaria. Aparentemente, Bolsonaro vai para o segundo turno, em qualquer situação.

Sintomaticamente, o Datafolha não apresenta um prognóstico para o embate Bolsonaro X Alckmin, talvez até porque não há cenário em que Alckmin vá para o segundo turno. Dos que foram apresentados, contra Lula, Bolsonaro perde. Mas Lula será impedido judicialmente. Contra Marina, Bolsonaro perde hoje, mas a tendência lhe é favorável. Contra o “poste do Lula” – mistério.

Logo, a melhor opção para o campo da direita, hoje, seria carrear esforços para Marina Silva. Garantir Marina Silva no segundo turno contra qualquer que fosse seu adversário.  Ocupar a posição que hoje é de Bolsonaro. Mas o campo da direita vai de Alckmin.

Então, há que se perguntar: o que enxerga a direita?

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2 comentários

  1. > NÃO ME CURO…PADEÇO INCURÁVEL. https://gustavohorta.wordpress.com/2017/12/01/nao-me-curo-padeco-incuravel/

    …Esperança não há. Fé não há. Sofrimento profundo em águas rasas. Águas rasas que ainda assim afogam. Águas rasas que ainda assim sufocam. Rasas como é raso  o meu ser. Raso que tenta ser razoável.

    Esperança não há. Fé não há. Sofrimento profundo em águas rasas. Pestes nefastas sem a indulgência concedida e até mesmo sem a indulgência vendida. Sem piedade, sem amor, sem nada….

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