Oficina não-entrevista um “qualquer coisa do Lula”

Lula não dá sorte mesmo. Logo agora que desmontou o “caso dos recibos”, uma “entrevista bomba” liga seu filho a repasses indevidos de recursos oriundos da Oi.

Vitale

Dando continuidade à sua série de não-entrevistas, esta Oficina simula a participação na entrevista de 21 de outubro de 2017 que a Folha fez com o ”ex-diretor da empresa do sócio do filho do Lula”. Na entrevista, se insinua que “firmas foram usadas como fachada para receber recursos da Oi direcionados a Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, e seus sócios”.

Marco Aurélio Vitale – o entrevistado – foi diretor comercial de uma das empresas de Jonas Suassuna – Grupo GOL – não é a empresa área – atua na área editorial e teve contrato com a Oi – a empresa de telefonia. Suassuna é dono de metade do “sítio de Atibaia” e também sócio de Lulinha na Gamecorp. Vitale é ex-funcionário da Folha.

Esta Oficina faz aqui, na não-entrevista, as perguntas que a Folha não fez na entrevista real e, por óbvio, não obtém as respostas.

A não-entrevista

Folha: quando o senhor começou a trabalhar com Suassuna, a sociedade com Lulinha já existia?

Vitale: ela sempre foi colocada como uma sociedade lícita que não traria benefícios diretos para o Jonas. Exceto o fato de ser sócio do filho do presidente, o que te dá uma visibilidade natural.

Folha: era mais do que isso?

Vitale: a empresa não tinha negócios para suportar o custo dela. Era possível pensar que fosse algum investimento futuro. Mas isso se perpetua.

Oficina: há algum dado contábil ou financeiro que possa comprovar a falta de relação entre os custos e a operação dos negócios?

Vitale:

Folha: o Grupo Gol é conhecido pela “Nuvem de Livros” e como fornecedora de material didático. Eles não eram suficientes?

Vitale: a “Nuvem” teve faturamento significativo, mas foi criada em passado recente [2011]. Como a empresa sobrevive de 2008 a 2011? A receita que existia era da Oi. Diretores sabiam que existiam contratos e receitas milionárias, mas nunca ficou claro quanto e pelo quê a Oi pagava.

Oficina: havia um contrato entre a empresa e a Oi. Esse contrato até poderia ser milionário, mas baseado em que o senhor alega que não era claro? Não era realmente, ou o senhor é que não conhecia o conteúdo do contrato, talvez porque não pertencesse à sua diretoria?

Vitale:

Folha: o que Suassuna falava sobre esses contratos?

Vitale: ele não falava. O modelo de gestão sempre foi muito centralizado. Qualquer assunto era tratado de forma fechada com Fábio, Kalil e Fernando. Esporadicamente se encontravam com Lula em São Paulo.

Oficina: se o dono da empresa não tratava com o senhor sobre o contrato com a Oi, de onde vieram as informações que o senhor tem sobre ele?

Vitale:

Oficina: em relação aos encontros com o ex-presidente, o senhor tem alguma informação, data ou ocasião que possa ser verificada?

Vitale:

Folha: Lula frequentava a empresa?

Vitale: não. Só vi uma vez quando já ele tinha saído da Presidência. Jonas queria mostrar as instalações.

Folha: mas em nenhum momento os diretores questionaram [a relação com a Oi]?

Vitale: um deles um dia me viu muito agitado, trabalhando muito ainda no início, e disse: “O que você está fazendo? Aqui é para ganhar dinheiro e não fazer nada”.

Oficina: muito interessante, o senhor poderia dizer o nome desse diretor?

Vitale:

Folha: e como era a relação com os executivos da Oi?

Vitale: a Gol conseguiu um tratamento que não existe dentro da operadora. Os projetos não passavam pela área de compras, não existia proposta, e eram valores muito elevados tratados e aprovados diretamente pela presidência da Oi.

Oficina: desculpe a insistência, mas se os assuntos do contrato não eram tratados com o senhor, de onde vêm suas informações sobre ele? Em que o senhor se baseia para afirmar que o tratamento dado pela Oi era indevido ou suspeito? O senhor conhece o modelo de gestão de contratos da Oi?

Vitale:

Folha: qual era o motivo desses contratos?

Vitale: muitos dizem que seria uma contrapartida pela mudança da lei da telecomunicação para permitir a compra da Brasil Telecom. Nunca ouvi falarem disso. Esse assunto não era tratado dessa maneira.

Oficina: se o senhor mesmo diz que nunca ouviu os donos falarem sobre uma suposta contrapartida, baseado em que afirma que era assim? Trata-se de uma insinuação ou existe alguma informação mais palpável?

Vitale: … Jonas e suas empresas foram utilizadas, na minha opinião, como uma fachada necessária para que o Fábio e Kalil realizassem seus negócios através da ligação familiar. Nesse movimento, os negócios não eram o mais importante. O importante era a entrada de dinheiro.

Oficina: opinião todos podem ter sobre qualquer coisa. Além de opinião, há algo que sirva como evidência comprovável das suas declarações?

Vitale:

O outro lado

A Gol detinha os direitos da obra “A Bíblia narrada por Cid Moreira” e tinha um contrato com a Oi para disponibiliza-la com exclusividade aos seus assinantes.

Detalhe importante: Vitale decidiu se abrir com a Folha logo após ser intimado pela Receita Federal. Já vimos esse filme antes com Delcídio, Leo Pinheiro e Palocci: “na hora do aperto, a culpa é do Lula”.

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1 comentário

  1. “PERFUME NA MERDA”
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2017/10/21/perfume-na-merda/

    “…Então… Como é que um dia eu pude vê-los como sendo superiores a nós? Eu estava enganado. Nós somos muito superiores a eles, mesmo sendo zés, joãos, marias, desde o pequeno ambulante ao médico ou engenheiro. Nós somos as verdadeiras autoridades, porque nossa autoridade não foi conferida por um político malandro capaz de tudo com uma caneta. Nossa autoridade nos foi dada pela nossa força de continuar tentando fazer um Brasil melhor. …”

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