Diana – a não-princesa Disney

Lady Di

Diana Spencer – ou Lady Di, a princesa de Gales – é um dos ícones da minha geração.

Minha geração é farta de ícones. É possível escolher-se de Muhammad Ali a Che Guevara. De Lennon a Bruce Lee. Só para ficar além-fronteiras.

Sou de uma geração de ícones trágicos, ou tenho eu uma queda especial por eles?

Em relação a Lady Di há, no entanto, uma sutileza que não pode ser desconsiderada. Mais que um ícone da minha geração, ela é da minha geração. Dois anos mais nova do que eu.

Diana é daquelas poucas pessoas que conseguiram ser ícones da geração em que nasceram. Busque outros pela memória. Lembro de James Dean e Marilyn Monroe, ícones da geração anterior à minha. Por certo há vários outros. Mas sempre o mesmo preço a pagar – morrem jovens. Talvez não fossem icônicos, tivessem envelhecido como seres comuns.

Mas Diana tem um quê de conto de fadas. Um conto de fadas que fosse escrito como um verso de Drummond. Para acordar os homens e adormecer as crianças.

A plebeia e seu príncipe. A princesa linda, a rainha malvada e a bruxa má buscando tomar-lhe o lugar. Estão todos lá na história de Diana. Ocorre que Diana ousou tentar escrever ela própria a sua história.

Good girls go to heaven, but bad girls go wherever they want.

Imperdoável.

Diana era uma princesa politicamente incorreta em um tempo em que o politicamente incorreto confrontava os poderosos.

Diana gostava de crianças. Não seria uma princesa, se não gostasse.

Mas Diana buscava dar carinho às crianças sem pernas. Por inteligente e audaciosa, soube usar o contraste de sua beleza de princesa europeia com os horrores das guerras africanas fomentadas pelos europeus.

lady di

A princesa incômoda a dizer ao mundo que o politicamente correto é um mundo onde crianças não têm as pernas amputadas por pisarem em minas terrestres enquanto brincam. Apesar dos lucros da indústria bélica do seu país.

Lady Di não era de brincadeira.

Diana casou com um príncipe e não viveu feliz para sempre. Diana é a princesa que chutou o príncipe e foi à luta.

Diana não é a donzela que beijou um sapo e o transformou em príncipe. Diana é a donzela que beijou um príncipe e o transformou em sapo.

Diana é uma não-princesa Disney.

PS1: em 31 de agosto de 1997, Diana Spencer morreu em um acidente automobilístico no túnel da Ponte de L’Alma em Paris – França. Seu carro era perseguido por paparazzis que buscavam fotos dela com o seu, então, namorado. Dois meses antes, no dia 1º de julho – mesmo dia em que nasceu minha filha – Diana acabara de completar 36 anos. Good girls go to Heaven, bad girls too. But, bad girls always win the race.

PS2: aniversário de morte não é exatamente uma data festiva. Trata-se mais de uma data para recordar o que foi bom. Assim, não quis fazer aqui analogias com as críticas que algumas mulheres têm recebido ultimamente por igualmente ousarem ser tão somente mulheres. Algumas coisas parecem que não mudam. Mas, como cantam os Rolling Stones: you can’t say we’re satisfied, but we can’t say we never tried.

1 comentário

  1. Há algum assunto sobre o qual você seja capaz de escrever – somente – bem?
    Quando você escreve sobre mulheres, mesmo sem versos, me deparo com um menestrel.
    Bonito.

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