Ipsos-Estadão – o mau humor é o eleitor

Com o mal-estar reinante hoje no Brasil, só o “Lulinha Paz e Amor” derrota Bolsonaro em 2018. É o que mostra a pesquisa Ipsos-Estadão.

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Explica-se, sem dúvida, por dois motivos a pouca discussão sobre os resultados da pesquisa Ipsos-Estadão a respeito dos índices de rejeição de figuras púbicas do cenário brasileiro atual.

O primeiro motivo é o aparente estado de letargia política em que nos encontramos – quase uma reação de defesa psicológica coletiva.

O segundo é, incialmente, a pesquisa não trazer maiores novidades. Mas só se não olharmos os números mais atentamente.

Quando se faz algumas comparações, é possível se antever quais as chances dos vários agentes políticos daqui até ás eleições de 2018. E até antecipar-se algumas estratégias.

Não temos maiores informações sobre o perfil da amostra ou método de coleta das informações, mas o fato de ninguém ter saído bem na foto demonstra com números o que é o sentimento de insatisfação generalizado dos brasileiros.

Em 2018, o mau humor será o eleitor.

Não sei quem é, mas não gosto dele

Mesmo figuras que atuam em ambientes controlados, como é o caso do apresentador Luciano Huck, apresentaram elevado índice de desaprovação. Huck – o bom-moço dos sábados globais – tem um índice de 42% de desaprovação.

Sintomático também são os índices de rejeição de personagens, tais como, Paulo Skaf, Nelson Jobim e Tasso Jereissati. Não frequentam as primeiras páginas de jornais ou as escaladas de notícias dos telejornais da noite. Isso fica claro quando se nota o seu grau de desconhecimento pelos que responderam à pesquisa – todos em torno de 40% de desconhecimento. E mesmo assim com índices de rejeição na casa dos 55%. Um caso clássico de “não sei quem é, mas não gosto dele”.

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Outro dado interessante é que o mau-humor dos brasileiros faz com que, de modo geral, quanto mais a personalidade seja conhecida, mais aumente seu índice de desaprovação.

São os casos, por exemplo, de figuras sobre as quais não pesam maiores críticas na mídia tradicional – quando não, rasgados elogios: Carmem Lúcia, Deltan Dallagnol e Sérgio Moro.

Se compararmos os seus índices de aprovação de 2016 com o índice atual, todos melhoraram. Cármen Lúcia foi de 21% de aprovação em 2016 para 22% em 2017. Deltan de 12% para 13% e Sérgio Moro foi de 52% para 55% de aprovação entre 2016 e 2017.

Mas esses números são enganosos. Porque ao se tornarem menos desconhecidos, o índice de rejeição cresceu mais do que o de aprovação.

Sérgio Moro, surpreendentemente, teve um aumento de 3 pontos percentuais no índice de aprovação contra um aumento do índice de rejeição em 7 pontos percentuais – mais que o dobro.

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Meu malvado favorito

O assédio ao PT não rendeu frutos ao PSDB – isso já é bastante sabido. Mas o que a pesquisa mostra é que o PSDB perdeu muito mais que o PT.

Para se avaliar o tamanho do estrago, basta comparar o índice de aprovação de Dilma Rousseff – que jamais pode ser acusada de cultivar a simpatia – com os dos próceres tucanos.

Dilma mantém 18 % de aprovação. FHC tem 10% de aprovação. Ambos com o mesmo índice de rejeição 79%. Hoje, FHC não disputa mais a liderança política com Lula, sua adversária é Dilma Rousseff – e ele perde.

José Serra é aprovado por 9% dos entrevistados e Geraldo Alckmin por 14%. Também perdem para Dilma. Para conseguir um empate com Dilma, somente apelando para o midiático João “acelera” Doria que tem 19% de aprovação. Mas ainda não é conhecido por quase um terço dos que responderam à pesquisa. Valendo para Dória o que vale para Sergio Moro, não é uma boa notícia.

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Aécio empata com Temer em aprovação – 3%. E, provavelmente, ambos empatam com a margem de erro da pesquisa. Mas Aécio tem o que comemorar –  Temer é rejeitado por 93% dos que responderam à pesquisa e Aécio por apenas 91%.

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Neste instante, o PSDB está fora de um 2º turno nas eleições de 2018.

Mas o troféu de malvado favorito é de Gilmar Mendes, pelo conjunto da obra.

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Em 2016, era desconhecido de mais da metade dos que responderam à pesquisa – 53%, mas rejeitado por 43%. Aprovado por 3%. Quem conhecia Gilmar Mendes era minoria, mas não gostava dele. Agora, em 2017, é conhecido por 70% dos que responderam à pesquisa e rejeitado por 67%. Aqueles 3% de amigos do peito continuam o apoiando. Salvo serem a tal margem de erro.

Corações e mentes – a estratégia de cada um

Entre os políticos, Lula é um ponto fora da curva. Com 32% de aprovação. Não importa a pesquisa que façam, só estará fora de um hipotético segundo turno nas eleições de 2018, se não puder concorrer.

Sua competidora mais próxima é Marina Silva com 24% de aprovação. Ambos têm o mesmo índice de rejeição – 66% e 65%. Ocorre que, fora do período eleitoral, Marina é quase que um ser mitológico das florestas do recall. Durante as eleições, exposta às suas contradições, é aquela síndrome de “cavalo paraguaio”. E Lula é o “homem no olho do furacão” 24 horas por dia e 365 dias por ano.

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Ônus e bônus para Lula e Bolsonaro

Tomando-se como base os números da pesquisa Ipsos-Estadão, Marina Silva, hoje, é a potencial adversária de Lula em um hipotético 2º turno nas eleições de 2018. Mas não é tão simples assim.

Marina, mantendo sua taxa de rejeição nos níveis atuais, precisará crescer 8 pontos percentuais para alcançar Lula. Há 11 pontos percentuais em jogo entre os que responderam não ter opinião formada sobre ela. Marina precisa convencer 73% dos indecisos.

Seguindo a mesma lógica, Bolsonaro e Doria precisarão somar, cada um, 46% dos que hoje estão indecisos em relação às suas figuras.

Lula é desconhecido por 2% dos que responderam à pesquisa. Aqui, não há dúvida, é a margem de erro. Logo, Lula não tem mais a quem convencer entre os que não o conhecem. Todos o conhecem. Então, resta a Lula ganhar corações e mentes de uma parcela dos que hoje o rejeitam. Não é uma missão fácil –  de agora até o segundo turno das eleições de 2018, terá que reverter 18 pontos percentuais entre essa população.

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Só o “Lulinha Paz e Amor” derrota Bolsonaro em 2018

Neste instante, esses fatores, o conhecimento e a rejeição, fazem a diferença e tornam mais fácil para Bolsonaro o caminho para chegar a um enfrentamento com Lula. Por vários motivos.

Marina é Marina. Doria é PSDB. O PSDB, como os números mostraram, foi quem mais perdeu com o sentimento de mal-estar generalizado que se abateu sobre a população brasileira. Ainda que consiga ser candidato, Doria não será mais o novo. Carregará sobre si toda a rejeição do seu partido. Mais os resultados de sua gestão à frente da prefeitura de São Paulo. Será responsabilizado dos buracos nas ruas ao racionamento da merenda nas escolas públicas. Com muitas fotos de crianças com uma marquinha de caneta azul nas mãos.

Bolsonaro, ao contrário, não é responsável nem pelo que fala. E mais, encarna esse mal humor generalizado. Seu eleitor é aquele que está de saco-cheio com tudo isso que está aí. E que está a fim de meter o pé no balde. E mandar tudo à merda. Basta algumas visitas aos perfis dos que o apoiam declaradamente, para se perceber isso.

Mas repare-se, o eleitor de Bolsonaro é, antes que emocional, um passional. E isso pode assustar muita gente.

Existe 56% de pessoas que rejeitam tanto Lula quanto Bolsonaro. É nessa população que Lula deverá buscar os 18 pontos percentuais que lhe faltam para ser novamente eleito presidente do Brasil.

Para tanto deverá reencarna o “Lulinha Paz e Amor” versão 2018.

Em outras palavras – convencer um terço (32%) dos que hoje rejeitam igualmente a ele e a Bolsonaro de que ele, Lula, é um mal menor do que Bolsonaro seria.

Então, por paradoxal que seja, Bolsonaro pode ser o principal cabo eleitoral de Lula. E até mesmo o seu advogado de defesa no julgamento do TRF da 4ª Região que decidirá o futuro de Lula, e por via de consequência, o futuro das eleições para presidente do Brasil em 2018. É aos juízes que decidirão sobre Lula que caberá, antes dos eleitores, escolher um dos dois – Lula ou Bolsonaro.

Com o mal-estar reinante hoje no Brasil, só o “Lulinha Paz e Amor” derrota Bolsonaro em 2018.

Qual será o humor desses senhores?

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