Tempo de flor e o nojo

a flor resta

E o que me resta é esse nojo.

As ladeiras de Minas e sua flor.

Um tempo feito de túnel. Um tempo de anões.

Um tempo de maus presságios e maus patrões.

As ladeiras de Minas e sua flor.

Um tempo de gatunos. Um tempo de noites

Sem noturnos.

As ladeiras de Minas e sua flor.

Um tempo que não se presta, um tempo que não se preza.

Um tempo de grosseiras obviedades.

Um tempo de gosma que escorre em sua viscosidade.

As ladeiras de Minas e sua flor.

Um tempo sem roseiras, um tempo sem carmim.

Um tempo pesado. Um tempo de sangue pisado.

Um tempo de rapinas e butins.

As ladeiras de Minas e sua flor.

Um tempo de roubar no peso.

Um tempo de homens que valem menos do que pesam.

Um tempo feito de pouco e do que pouco vale.

Um tempo reto como um muro, um tempo sem detalhes.

Um tempo de muros cinzas e sepulcros caiados.

Um tempo de anjos caídos.

As ladeiras de Minas e sua flor.

Tempo de roxos e coisas escuras como as vestes da minha avó.

Um tempo sem dó.

Um tempo de desencanto, um tempo feito de esquinas.

Um tempo feito de cantos, um tempo mudo. Um tempo de becos e vielas.

As ladeiras de Minas e sua flor.

Um tempo de contrição e violação.

Um tempo de paspalhos e espantalhos, um tempo sem atalhos.

Um tempo de fim em mim.

E o que me resta é esse nojo.

As ladeiras de Minas e sua flor.

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