Fim de ciclo II – Lula está morto, viva Lula

Crônica de uma morte anunciada, a condenação de Lula não fugiu ao script traçado. Mas é um anticlímax. Foram tantos os vazamentos, que já sabíamos o fim do filme.

Lula chega a depoimento

Viveremos mais uma vez uma fase típica da “saída da Família Real” – algo que se precipita e que precipita ações drástica e desesperadas. O ”Congresso Eduardo Cunha” e as reformas trabalhista foram um desses eventos de final de ciclo. A condenação de Lula é outro.

Sergio Moro é um ator disciplinado. Não esperem dele uma gague. Não esperem uma fala fora do tempo. Falta-lhe talento para tanto. Ele é previsível do começo ao fim. E sem graça.

Dia 11 de julho de 2017 – uma terça-feira, anunciado o trailer do filme “Polícia Federal – A Lei é Para Todos” que conta a história da perseguição de Moro contra Lula e da Lava-Jato. Dia seguinte, Moro condena Lula. Isso tudo precedido de notícias na segunda-feira nos jornais de que a condenação de Lula sairia até o fim da semana.

Crônica de uma morte anunciada, a condenação de Lula não fugiu ao script traçado. Mas é um anticlímax. Foram tantos os vazamentos, que já sabíamos o fim do filme.

Já sabíamos desde há mais de um ano que Moro condenaria Lula, que isso se daria a tempo de Lula ser condenado em segunda instância e assim inviabilizá-lo para as eleições de 2018.

Ocorre que o mundo não segue o roteiro. A Lava-Jato já não é mais a Lava-Jato. Moro já não é mais Moro. Foram os power-point de bolinhas. Foram as delações de Marcelo Odebrecht trazendo com elas Mineirinho, Santo e Careca, foram os tucanos soltos. Foi a JBS e o pessoal da mala preso-solto. Foi Aécio voltando ao Senado como “chefe de família com carreira elogiável” e inocentado no “Conselho de Ética”. Foi Gilmar Mendes inocentando Dilma no STF, soltando José Dirceu e criticando a Lava-Jato. Foi o TRF da Quarta Região inocentando Vaccari condenado por Moro e passando um pito no próprio Moro. Foram suas fotos imprudentes com Aécio. Foi sua tentativa inútil de proteger Temer de Eduardo Cunha. Foi a ausência patente de provas contra Lula e as provas a favor da inocência de Lula. E foi principalmente o cansaço do público com uma novela que não acaba mais e cujo fim já era conhecido.

E, sem o interesse do público espectador, Moro não tem força. Sua força não vem do Código de Processo Penal. Moro sequer usa o Código de Processo Penal. Sua força vem da exploração midiática do público.

Por fim, a Lava-Jato acabou de acabar. Lula condenado. Moro sai de cena. Seu último ato. É agora tão descartável quanto Michel Temer. E sua presença tão incômoda quanto a dele. Será dispensado com os elogios de praxe.

Lula responderá ao processo em liberdade. A grande cena final reservada a Moro, a prisão de Lula, foi limada.

Daqui para frente, o jogo é político-eleitoral como sempre foi. Mas será jogado em outro campo. Já não é dada como certa a condenação de Lula em segunda instância. Já não é dada como certa nem a inabilitação de Lula para as próximas eleições. Tudo dependerá do cenário em que se darão os acordos para o próximo ciclo político que se iniciará com as eleições de 2018.

Um anticlímax. As panelas não batem para Temer, tampouco a condenação de Lula será comemorada com feriado nacional.

O golpe fracassou. E Lula é um personagem muito mais valioso para a retomada da normalidade que Moro. Lula está morto, viva Lula

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