2018 – um exercício de futurologia reversa

E se Aécio, Temer, Eduardo Cunha e Sergio Moro pudessem voltar ao passado e reescrever o presente?

Dilma presidente

Faltando um ano e meio para seu término, o segundo governo Dilma coleciona sucessos e fracassos. Ônus e bônus. Mas, sem dúvida, ele é o grande peso que o PT terá de carregar nas próximas eleições.

É um governo com a marca social petista, mas os custos políticos da reforma da previdência e da contenção orçamentária empreendida desde o início do segundo mandato o inviabilizam eleitoralmente. É voz corrente que Dilma preparou o terreno para o próximo presidente, mas que dificilmente seu sucessor sairá do PT.

Lula não será candidato, isso é fato. O PT não porá em risco sua reserva moral. E, no partido, não há nomes de peso nacional para encabeçar a empreitada. Pimentel já avisou que vai tentar a reeleição em Minas. Uma parada indigesta dado o domínio de Aécio na política mineira, mas, ainda assim, sua melhor opção. E Fernando Haddad, reeleito em um duríssimo 2º turno contra o PSDB de João Doria para a prefeitura de São Paulo, não vai se arriscar a dar um passo maior do que a perna. É carta fora do baralho para 2018.

Parece que o ciclo petista no governo federal chega naturalmente ao seu final.

O mais provável será uma chapa com o PMDB com o candidato a presidente e o PT como vice. Uma inversão em relação aos dois últimos pleitos conveniente a ambos os partidos. A chapa Michel Temer e Jaques Wagner está sendo costurada por Lula há algum tempo.

Não é segredo algum o incômodo do vice-presidente para com o tratamento distante que recebe da presidente Dilma. No entanto, dada a dificuldade de relacionamento da presidente com o Congresso e a facilidade com que Michel Temer por lá circula, o vice acabou naturalmente assumindo o posto de articulador político do governo. Lula preferiu manter-se distante.

Foi Michel Temer quem negociou todas as medidas que o governo Dilma, apesar das dificuldades econômicas, aprovou no Congresso. Sua imagem de negociador moderado, mas eficaz, o cacifa para a cabeça de chapa.

De qualquer modo, tal acerto deverá ter a benção de Eduardo Cunha, para seguir em frente. O poderosíssimo deputado, avesso a maiores exposições e sempre agindo nos bastidores, não teve dificuldade em fazer os dois últimos presidentes da Câmara – dois deputados de sua bancada pessoal. É o nome do PMDB no comando do legislativo. Há quem fale que deseja ser o primeiro presidente evangélico do Brasil. Até agora, tem desconversado todas as vezes em que é questionado sobre o assunto, mas não move um dedo para inibir tais articulações na bancada BBB – bíblia, boi e bala.

Do PSDB sairá o oponente do PMBD. Outra vez, o PSDB se encontra dividido entre São Paulo e Minas – Aécio e Alckmin e, outra vez também, José Serra correndo por fora. Porém, há agora um quarto nome – João Dória. Seu nome ganhou muita densidade eleitoral na campanha para a prefeitura. Principalmente nos debates para do segundo turno, suas propostas modernas do ponto de vista econômico cativaram o setor financeiro e empresarial. O mais provável é que aproveite o grande recall da eleição de 2016 e saia para governador sucedendo Alckmin. É um nome de futuro em nível nacional, não resta dúvida.

Para a presidência, Alckmin tem a vantagem de ser paulista, o que sempre pesa muito. O governador de São Paulo é sempre considerado um candidato natural. Mas Aécio mostrou-se um legítimo herdeiro de Tancredo Neves. Terminadas as eleições de 2014, a derrota não lhe pesou, nos primeiros meses de 2015, viajou o Brasil agradecendo o apoio recebido durante a campanha e reforçando seu lugar de grande arauto do campo conservador. Voltou-se depois para Minas e consolidou-se nas eleições de 2016; fez o prefeito de Belo Horizonte e de grandes cidades mineiras. É dado como certo que fará o governador em 2018. Batalhará pela cabeça de chapa com Alckmin e Serra em posição de força.

Externo ao campo da política tradicional, o nome do Ministro Sergio Moro é sempre lembrado. Mas, recém nomeado para o STF na vaga deixada com o falecimento do Ministro Teori Zavascki, é muito improvável que abandone a magistratura para se aventurar na política. Não deixa, no entanto, de ser um grande nome, basta para isso lembrarmos de como sua indicação para o STF e sua aprovação pelo Senado foram festejadas nacionalmente. Era um nome inconteste.

Fez um grande trabalho frente a Operação Lava Jato. Sua atuação técnica e legalista levou ao desbaratamento de quadrilhas que agiam na Petrobras e em praticamente todas as grandes obras públicas. E, apesar da especulação pela imprensa do nome de políticos de alto coturno de todos os partidos, jamais deixou que a política partidária se imiscuísse com as investigações e com o posterior julgamento dos envolvidos. Manifestou-se nos autos. Independentemente dessa discrição, foi duro com as empreiteiras envolvidas nos esquemas de corrupção. Os presidentes das maiores empresas de engenharia do Brasil estão afastados de seus postos e respondendo a processos onde se espera que ao final arquem com parte considerável de seu patrimônio pessoal.  Assim como os diretores da Petrobras e de outras estatais envolvidas. Não será surpresa se alguns bons anos de cadeia os esperarem também. As empresas foram preservadas, isso é o que importa para o país. Que os culpados paguem o que devem.

Agora no STF, Moro poderá dar continuidade ao trabalho iniciado em Curitiba. As informações estão com a Procuradoria Geral da República – o sigilo e o resguardo são naturais. Os tempos do STF não devem criar maiores constrangimentos para as eleições de 2018, mas Moro, desde já, é a espada de Dâmocles do mundo político. Eis porque talvez seja mais importante para o país onde está do que na presidência da República.

 

 

 

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