Uma gota de nostalgia em cada verso

Belchior“Meu cartaz de procurado, vira-latas de mercado, com a pata esmagada por um trem”.

Desde ontem, leio por aqui lembranças de Belchior expressas em versos esparsos de canções. Lembranças trazidas por amigos, conhecidos e desconhecidos. Cada um com seu verso. Muitos poderiam ser meus, outros quase que deles me esquecia.

Alguns engajados politicamente e de uma ironia cortante e atualíssimos: “nesta terra de doutores, magníficos reitores, leva-se a sério a comédia”. Parece dedicado a quem cultiva mesóclises.

Outros existencialistas: “como poeta louco eu pergunto ao passarinho: o que se faz? Assum-preto me responde: o passado nunca mais”.

Muitas vezes de um romantismo desbragado como um beijo molhado e escandalizado: “esconda um beijo para mim, sob as dobras do blusão”.

Ou sensualíssimos: “quando eu cantar, quero lhe deixar molhada em bom humor. E, por favor, não vá pensar que é só a noite ou o calor”.

E então me espantei ao notar o quanto Belchior sempre esteve presente em cada um de nós e ainda assim passasse por desapercebido.

Jamais me filiarei à sociedade dos poetas mortos enquanto um velho mestre de blues puder me alcançar pelas ondas sonoras do carro. Tomarei um fósforo e, ao gosto dos anjos, acenderei o último cigarro, que aquele bêbado lhe deu.

Nada poderia ser mais Belchior.

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