O mito da criação

criação

No princípio era o verso branco

e um deus nu e mudo compunha poemas feitos de astros.

E, então, fez-se o verbo e na boca fez-se a voz.

E da voz fez-se o primeiro insulto que substituiu nos lábios o primeiro beijo.

Que sendo por si só e silente não carecia da palavra para se fazer ouvir.

E ainda do verbo, nas mãos, fez-se a ação.

E da ação a primeira agressão e o primeiro grito de dor.

E da dor primal fez-se o infinito.

E já deus não estava mais nu.

Vestia-se agora em trajes de sangue.

E, para conter o infinito, fez-se a métrica e da métrica fez-se a prisão.

Da prisão fez-se a razão de todo o poder e toda a riqueza.

E o primeiro pedido de perdão.

E do poder fez-se novamente o silêncio e desse silêncio fez-se a verdade.

E olhou deus para sua obra nascida do verbo

e julgou que era justa e bela pela eternidade.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s