Do caos ao pó… de estrelas

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A poesia que surge dos escombros – a justiça poética.

Justiça que não traz em si a poesia não é justiça – é punição.

Punição sempre será a lei do mais forte.

A qual delas você se submete?

A verdade que surge do espanto.

A pós-verdade que surge da impossibilidade da verdade.

Só o espanto é possível, mas aí não é verdade – é revelação.

Epifania. O espanto é a verdade poética.

Verdade que não é poética não é verdadeira verdade.

Delação premiada. Ato falho. Não é oximoro, é imoralidade.

A verdade que não é poética comporta todas mentiras e todos interesses.

É verdade dos poderosos.

A verdade poética só se nutre da ilusão.

Qual verdade lhe engana mais?

Discutir o lugar comum na poesia. E a poesia feita de lugares-comuns.

O lugar comum é de todos. Inescapável. Senso comum. Recurso vulgar.

Lugar que não é comum é propriedade privada ou a solidão original.

No princípio, era o verbo e o verbo por princípio.

Quem conjuga teus verbos no imperativo, na segunda pessoa do singular?

Quanto grito te resta para um poema em rima pobre?

Quanta voz, quanto grito na rima dos pobres?

Deus e o ópio do povo. Deus é o ópio do povo.

E a voz do povo é a voz de Deus.

Mas Deus está morto. Morreu de overdose.

Deus está mudo.

Silêncio obsequioso e ato de contrição.

Quanta voz te resta na garganta?

Quanta poesia resta após a execução sumária? Após a bala perdida?

Uma batalha de morte e vida entre duas ideias antagônicas de organização social:

o caos criativo e a ordem castradora.

Em qual delas você se sente mais seguro?

Pergunta ao teu cinza que o grafite no muro come de dentro para fora.

 

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