João Doria – quando o marketing dá errado

O prefeito João Doria deveria reavaliar sua estratégia de marketing – quanto mais o conhecem, menos gostam dele.

Doria - gari

A pesquisa Datafolha de abril de 2017 sobre a avaliação do prefeito de São Paulo após cem dias de mandado traz um copo meio cheio e meio vazio para João Doria.

O copo meio cheio

Ele continua com altas taxas de aprovação com índice de “ótimo e bom” em 43%, porém, seu índice de “ruim e péssimo” está na casa de 20%.

Em princípio, isso não deveria preocupa-lo já que seu índice de aprovação é recorde – nenhum prefeito anterior teve tal taxa – e o de reprovação é inferior ao da maioria dos prefeitos que o antecederam. José Serra, por exemplo, o campeão de reprovação, tinha 37% em igual período. Erundina tinha 30% e Maluf 25%. Melhor que ele, somente Haddad e Marta que com cem dias de mandato apresentavam 14% de reprovação.

Doria versus Doria

A questão, porém, não é sua comparação com outros prefeitos, mas com ele mesmo. Isso porque, em fevereiro de 2017, o Datafolha, em uma pesquisa inusitada, já o havia avaliado.

Vejamos.

Dória é o mais conhecido dos prefeitos paulistanos dos últimos 30 anos.

datafolha abr17

Quando analisamos as respostas “não sabe” dadas em relação a avaliação dos prefeitos, Doria tem um índice de 4% de paulistanos que não souberam fazer juízo de valor em relação a ele. Alto grau de conhecimento, mais do que o dobro de Serra, com 9%, e que era um político experimentado quando se tornou prefeito de São Paulo. Haddad tinha um índice de 13% de “não sabe” e Celso Pitta 16%.

Não seria de se esperar outra coisa, dada a intensidade das ações de marketing desenvolvidas por João Doria.

O copo meio vazio

Ocorre que, quando se compara os resultados da pesquisa Datafolha de 12 de fevereiro de 2017  com os desta pesquisa agora, nota-se que Doria conservou os índices de ótimo e bom e regular quase que idênticos, mas seu índice de ruim e péssimo subiu na mesma proporção em que aumentou seu índice de conhecimento.

datafolha 2 abr17

Em fevereiro, seu índice de respostas “não sabe” era de 10% e seu índice de reprovação era de 13%. Hoje seu índice de respostas “não sabe” é de 4% e seu índice de ruim e péssimo passou para 20%.

datafolha 3 abr17

Apesar de todo seu esforço de marketing, João Doria aumentou sua rejeição quanto mais as pessoas passaram a conhece-lo melhor.

Um aumento de 7 pontos percentuais no índice de rejeição em menos de 60 dias é algo a ser pensado. Com cem dias de mandato, acaba-se a lua de mel dos eleitores com o eleito, costuma-se dizer.

Doria começa efetivamente seu mandato com seu copo meio vazio.

Terá de repensar suas ações de marketing. Talvez começar agora a apresentar resultados concretos seja uma boa estratégia.

 

PS: quando avaliado o potencial de Doria como candidato à presidência da República, seu índice de rejeição foi de 42%. Somente para termos de comparação, Lula na pesquisa Datafolha de dezembro de 2016 tinha 44% de rejeição, empatado com Michel Temer.

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