Quatro quadras do homem de bem

quatro quadras.jpg

Ah, essa mentira cômoda que acalanto,

esse meu ódio santo que me faz dormir em paz,

beijo a boca do inimigo necessário e em espanto

quebro espelhos e cristais.

Ah, esse calão bendito que me lava a alma,

que grito ao mundo de peito nu,

como um peido que me alivia e acalma:

vai tomar no cu.

Ah, esse delírio de poder imaginário,

minha covardia cotidiana que transmuta

impotência e medo em seu contrário

a cada “vaca, filha de puta”.

Ah, esse meu reflexo em teus olhos claros.

Teus olhos, onde me enxergo tal e qual,

maldição que me jurou, quero arrancá-los,

para não me ver como sou: abjeto e amoral.

 

 

 

 

 

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