Os sapatos de Lula e a hipocrisia

Vivemos tempos de tal hipocrisia que a manchete de ontem não pode ser confrontada com a de hoje. Destruiria a reputação de jornais e de próceres do Judiciário. Mas quem se importa?

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O silêncio ensurdecedor da hipocrisia

As manchetes acima em relação à nomeação de Lula para ministro em março de 2016 – parece que foi no século passado – e as não manchetes em relação à nomeação de Moreira Franco em fevereiro de 2017 formam um capítulo à parte na história da hipocrisia.

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Onde estão agora Gilmar e Janot?

A Lava Jato que dá em Lula não é a mesma que dá no “Angorá”?

O caso acabou assim explicado pelo dublê de cientista político, barraqueiro de peixes e “jornalista” Ricardo Noblat: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Ou, literalmente:

“Na política, o que apenas se assemelha muitas vezes vira idêntico, análogo, tal qual. Assim como o fato (cuja realidade pode ser comprovada) dá lugar à versão – ou a mais de uma. Tudo depende do gosto do freguês, que pode ser aquele que compra, mas também o que vende habitualmente a determinada pessoa, ou grupo de pessoas”.

Qual será o peixe que Noblat vende? E qual o seu freguês?

O dia em que Aécio vestiu os sapatos de Lula

Na quinta-feira, 02 de fevereiro de 2017, Aécio Neves teve a oportunidade de sentir-se um Lula. Não, Aécio não se tornou um líder da nação por um dia.

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Mas também foi vítima de um vazamento da Lava Jato. Manchete escandalosa e uma página inteira de acusações baseadas em dados que o acusado não tem como refutar porque têm como fonte apenas declarações de um delator. E que, em princípio, deveriam ser sigilosas.

Propinas de Furnas e da Odebrecht para o “Mineirinho” e da OAS envolvendo a construção da sede administrativa do governo de Minas Gerais, além de contas secretas em Liechtenstein, são os segredos de polichinelo de Aécio Neves.

Até aqui não tiveram maiores consequências. Basta ver que, no dia seguinte, já eram assunto esquecido pela própria Folha, que tratava na primeira página da nomeação do ministro Fachin para a relatoria da Lava Jato no STF e também, bem no cantinho dessa primeira página, de uma “doação” de Temer a Moreira Franco – o foro privilegiado.

A “reportagem denúncia” contra Aécio, no entanto, faz parte do jogo. E o que está em jogo é a candidatura a presidente em 2018 pelo PSDB. Foi mais um “Pó pará, Governador?”. Este é o de Alckmin.

PS: a Oficina está no twitter.

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