Ela

ela

A morte cruzou minha calçada

em um ponto de não desviar,

esperou-me como quem não quer nada

e então sussurrou:

“tenho algo para te contar”.

A morte cruzou minha esquina

e esquiva, passou-me um recado.

Com seu traço refinado, um aviso em um bilhete.

Um lembrete que me diz: “Foi por um triz.

Mas não esqueça: fui eu que não quis”.

A morte cruzou meu caminho

outra vez. Como fez,

vez ou outra.

Quando ocorre de me encontrar,

sorri seus dentes de inveja

e pragueja: “você não perde por esperar”.

Sigo em frente, entre alívio e desesperança,

preso a um pensamento:

a morte fingi-se donzela que nos foi prometida em casamento.

Calculista e bela, faz-se da pudica que espera o seu momento.

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