Ecos do passado que nos aguarda

Com Gilmar Mendes como fiador, 2018 traria Aécio Neves candidato à presidente pelo PSDB-PMDB contra Alckmin pelo PSB. E Temer resignado ao papel de “ex-presidente decorativo”.

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Aviso aos navegantes: circulam, pelos blogues da esquerda, notícias da iminente prisão de Lula nesta segunda-feira, 17 de outubro de 2016. Estranho, tal prisão não faz qualquer sentido político. E de há muito que a Lava Jato parece ser mais um processo político-partidário que judicial. A prisão de Lula neste momento é altamente inconveniente para os interesses da direita que se afirma eleitoralmente nestas eleições municipais, cujo segundo turno é daqui a duas semanas. Tumultuaria o cenário político desnecessariamente.

Por óbvio, nada deste texto teria qualquer sentido após algo dessa magnitude.

Os três tenores

Estranho que um encontro do naipe de Temer, FHC e Gilmar Mendes não tenha causado maiores reflexões dos analistas políticos. Vivemos realmente tempos onde nada mais espanta e qualquer coisa é normal. Só assim para entender que algo tão simbólico não tenha causado maiores cuidados.

Para minimamente entendermos o porquê de tão inusitada confraternização é preciso retornar ao que chamei de feitiço do tempo no texto ”Aécio Presidente”.

A direita “democrática”, mas dividida

Não foi necessário o segundo turno das eleições municipais para identificarmos uma clara vitória do conservadorismo. Para quem acompanha a marcha do golpe que está instalado no Brasil desde o impeachment da presidente Dilma, esse talvez seja o sinal mais claro de que o calendário das eleições presidenciais de 2018 será mantido. A direita se sente fortalecida o suficiente para se permitir democrática.

Há, no entanto, a questão não discutida do candidato da direita nesse pleito.

O PSDB continua sendo o partido do conservadorismo e seu delfim, Geraldo Alckmin, fez o prefeito de São Paulo em um inédito primeiro turno. O governador de São Paulo é sempre um candidato natural à presidência, logo, não deveria haver mais discussões sobre quem será o candidato que enfrentará o que se conseguir juntar dos cacos da esquerda.

Mas não é tão simples assim.

O PSDB sempre foi um partido dividido e hoje está mais dividido do que nunca. O grupo de Covas contra o grupo de FHC. Covas hoje é Alckmin e tem muitas contas a acertar com o grupo de FHC. O grupo de FHC seria Serra, mas é difícil dizer qualquer coisa sobre Serra, hoje em dia. Logo, o grupo de FHC deverá ser Aécio.

São irreconciliáveis.

Ocorre que o golpe introduziu um novo grupo no jogo. O grupo que se formou no entorno de Temer. Candidatíssimo à reeleição.

É nesse cenário que se deve entender o exótico encontro e a exótica presença do ministro Gilmar Mendes nele. Bem como o exótico anúncio, dias depois, do “namoro” entre PMDB e PSDB. Dado histórico dos partidos, não sei de “namoro” é o termo mais apropriado.

O que conversaram só os três sabem. Mas não é difícil especular-se.

Alckmin e o balanço de perdas e ganhos das eleições de 2016

A figura de Gilmar me parece ser a do fiador. Não poderia ser outra. Gilmar Mendes – presidente do TSE – poderá julgar dentro de alguns meses a ação de Aécio contra a chapa Dilma-Temer e simplesmente tirar Temer e seu grupo do jogo. E nem disso precisa. Basta o TSE confirmar a decisão do TRE paulista e manter Temer inelegível.

A presença de Gilmar Mendes no encontro muda o peso específico de FHC – aumenta-o muito.

E porque um acordo entre o PSDB-FHC e o PMDB-Temer precisaria de um fiador?

Pergunte à Dilma o quanto Temer é fiel à causa e aos compromissos assumidos.

De qualquer modo, bom para os interesses de Temer não é. Mas é muito pior para os interesses de Alckmin. Trata-se de, ao mesmo tempo, fechar a porta de um acordo de seu grupo com o PMDB de Temer e jogá-lo fora do PSDB. Mais precisamente no colo do PSB.

E assim o campo da direita estaria formado e dividido entre Aécio do PSDB-PMDB e Alckmin do PSB. E Temer resignado na condição de ”ex-presidente decorativo”? Haja Gilmar Mendes.

O feitiço do tempo

A questão Eduardo Cunha parece bem encaminhada. Moro recebeu a denúncia contra ele, mas não há sinais das “coercitivas” e “preventivas” características do juiz de Curitiba. Com a “morosidade” que levar o caso, Cunha também levará a revelação do que sabe sobre a cena política federal.

Salvo chuvas e trovoadas de uma possível e inconveniente prisão de Lula, o próximo lance é a eleição do presidente da Câmara dos Deputados – o presidente da Câmara dos deputados é o virtual vice-presidente da República.

Então veremos o que restará do PSDB e o quanto do passado nos aguarda.

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