Fora Temer, Aécio presidente e… Lula, dá um tempo, porra

Como o “Fora Temer”, Gilmar Mendes e Janot podem levar Aécio a ser presidente em 2017… se Lula não bancar o “empata fodas”; situação em que temer cairia bem.

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A ”solução Aécio 2017” apresentada em texto anterior, parece-se com a “teoria propinocrática de Dallagnol” na qual Lula é o “comandante máximo”. O valor de ambas pode ser estabelecido pelo que está contido no conceito de teorias da conspiração.

Quanto às acusações a Lula, ainda precisam ser minimamente provadas.

Quanto a “Aécio 2017” –  a trama que levaria Aécio à presidência a partir da cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE de Gilmar Mendes e da eleição indireta de Aécio Neves pelo Congresso Nacional em 2017, há várias lacunas a serem preenchidas pela imaginação.

O feitiço do tempo

Alguns aspectos temporais a serem considerados e que podem servir de pista para acompanharmos o desenrolar da história.

  • as eleições municipais de outubro 2016, daqui a exatas duas semanas. Elas mostrarão o redesenho democrático após o impeachment. É a partir de quem ganhou e quem perdeu que se adaptarão as estratégias.
  • a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado em fevereiro de 2017. Aqui estará se definido o principal eleitor do próximo presidente.
  • o fim do mandato de Janot em setembro de 2017. Esse é o deadline para a consecução do golpe. Não se espere “republicanismo” de Temer na indicação do novo Procurador Geral da República.

Entre peões, cavalos e bispos

Há alguns fatores a serem considerados.

Fator Cunha – não vai ficar quieto. Sua entrevista ao Estadão foi, se não uma ameaça, uma advertência. Mas Cunha já cometeu a imprudência da sua vida, ter se colocado sob os holofotes. Ele, um homem das sombras. De volta ao seu território, não irá atrapalhar o golpe, mas negociará o que sabe para garantir a liberdade de esposa e filha e uma condenação “confortável”, a mais adiada possível, se não puder ser evitada.

Deverá submergir até as eleições para presidente da Câmara e, se não for preso nas próximas semanas, é porque o acordão está aceito.

Fator Lava Jato – o affair Toffoli-Leo Pinheiro mostrou que a Lava Jato está sob controle de Janot e Gilmar Mendes. A Lava Jato deve continuar a ser uma ferramenta de poder nas mãos de quem a comanda.

Qual político com poder real não está sujeito a ela? Temer e seu grupo não têm a menor chance. Serra, se ainda estiver em condições de saúde para atuar politicamente, sabe que não deve se rebelar, caso não seja o escolhido. Meirelles já recebeu seu recado.

Mas a Lava Jato é também um risco, algo assim como fazer uma ligação elétrica com a energia ligada e os pés descalços. Há eletricistas que as fazem, mas exige muito cuidado e sangue-frio. Veja-se o caso da Mossack-Fonseca e a Paraty House e a shownúncia de Lula.

Fator Alckmin – o governador de São Paulo é ao mesmo tempo o delfim da plutocracia paulista e um desafeto do grupo de FHC. Seria o próximo presidente, mas joga muito mal.

Para Alckmin, o melhor dos mundos seria Dilma ter terminado o mandato. Lula não se candidataria em 2018, em uma situação de normalidade democrática onde tivesse seu legado a salvo. Sua candidatura era antes um espantalho para corvos; a partir do golpe, se tornou a única alternativa de sobrevivência política sua e do PT.

Alckmin apoiou o golpe e permitiu o surgimento de uma alternativa no campo da extrema-direita, Michel Temer. Acreditar que a inelegibilidade de Temer determinada pelo TRE paulista seria mantida no TSE, caso Temer se viabilizasse, é ser tão ingênuo quanto Dilma foi acreditando que sua honestidade lhe protegeria.

O povo vai às ruas gritando “Fora Temer” e Alckmin manda sua polícia espancar o povo. Protegeu o adversário à custa de sua própria popularidade.

Aliás, esse é um ponto que começa a pesar contra Alckmin. Sua incapacidade de trabalhar o menor desafio à sua autoridade e o recorrente recurso à violência e à intimidação. Sua incapacidade de viver em um ambiente minimamente democrático o inviabilizará como político. O grupo que se formou no entorno de Alckmin igualmente assusta mais pela truculência do que pelo conservadorismo extremado.

Fator Lula – precisa ser inviabilizado. O roteiro já é conhecido. Há muito está bem detalhado e sincronizado. Basta ver a análise que a Folha de São Paulo fez da denúncia apresentada contra Lula:

“… o juiz Sergio Moro costuma levar de seis a sete meses entre receber a denúncia e proferir uma decisão, em geral condenatória. A primeira instância recursal, o Tribunal Regional Federal – 4ª Região, demora em média um ano para dar sua decisão, e não tem por hábito desfazer o que Moro fez. Estamos falando, portanto, na possibilidade concreta de Lula estar condenado em segunda instância no primeiro semestre de 2018. No mínimo, seria enquadrado na Lei da Ficha Limpa, impossibilitado de concorrer à Presidência e tentar salvar seu partido e seu nome”.

Repare-se que sequer é necessária a prisão de Lula. O que aliás, a sua condução coercitiva já havia demonstrado ser uma imprudência. A denúncia de Lula pedia discrição, dada ser tão pobre de elementos comprobatórios, mas estamos lidando com os egos desencapados dos procuradores do Ministério Público que atuam na Lava Jato. E veio a shownúcia e o fatídico powerpoint de bolinhas.

Deram a Lula uma inesperada e benfazeja condição de força. O próprio Gilmar Mendes reconheceu.

A partir disso, Lula  voltará a comandar um poderoso movimento de massas para sustar o golpe e restaurar a democracia no Brasil?

Não creio. Lula é antes um negociador de consensos. Acredita na política e sabe como ninguém que a política é a arte do possível.

E o possível hoje é garantir as eleições de 2018. Mas com a possibilidade de sua participação, porque Lula pode até ser “republicano”, mas bobo nunca foi.

Combinaram com os russos?

Ocorre que a plutocracia não confia em Lula.

E com Lula de “empata fodas”, há sempre a tentação do recurso autoritário escancarado. Em 1964 também começou-se prometendo manter-se as eleições. Havia Brizola, veio a ditadura. Mas era uma época de ditaduras.

Hoje, o mundo estaria disposto a bancar o fechamento da democracia na sua sétima economia, no maior país da América Latina e o segundo das Américas?

Quem seriam os generais Castelo Branco, Costa e Silva e Médici? Janot, Gilmar e Sergio Moro?

Sinuca de bico.

E nela, talvez, mais que Aécio presidente, temer cairia bem, com todos os duplos sentidos permitidos.

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