Pimenta no dos outros…

A Folha e a dura educação pela pedra… pela pedra na vidraça.

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O texto da ombudsman da Folha de São Paulo de 11 de setembro de 2016 retoma a saudável postura de ser crítico em relação ao jornal. Nos últimos tempos, raramente tem sido assim, ainda que essa devesse ser a regra.

Critica a postura do jornal que no editorial “Fascistas à solta” clamava por maior repressão aos manifestantes dos atos “Fora Temer”.

“A credibilidade da Folha é seu maior capital. Independentemente da sua opinião, não pode jamais deixar que seja rompida a separação entre a opinião dos editoriais e as páginas noticiosas”.

Como recorda a ombudsman:

“No dia seguinte [31 de agosto], data em que o Senado aprovou o impeachment, vários atos foram realizados em cidades brasileiras. Por volta das 21h, parte dos manifestantes tentou invadir o jornal e pichou a palavra golpista no portão do prédio. “Black blocs” arremessaram pedras e quebraram vidraças”.

Identificada como golpista, a Folha reagiu “temerariamente” pedindo mais repressão, borracha no lombo dos que assim a chamavam. É contra essa postura que se coloca a ombudsman no artigo com o sugestivo e adequado título de “No papel de vidraça”.

Se a postura da ombudsman é acertada, sua leitura dos fatos, contudo, não o é.

“É necessária a condenação firme, serena e inequívoca de atos que atentam contra o direito à informação. É chocante ver um jornal como a Folha sofrer tal ataque”.

De onde a ombudsman tirou a conclusão de que os manifestantes tinham como intenção tolher o direito à informação” de quem quer que fosse?

Quando a Folha publica uma “pesquisa de opinião” onde transforma os 62% da população brasileira favoráveis a novas eleições em 3% e no lugar dos 70% de reprovação a Temer encontra metade dos brasileiros o apoiando, é ela que está atacando o direito à informação.

Nas palavras da própria ombudsman, está permitindo que seja rompida a separação entre a opinião dos editoriais e as páginas noticiosas. 

Quanto à violência em si, outro acerto e outro erro de interpretação.

“O direito de manifestação não inclui ações violentas de intimidação e depredação. Tenha origem em forças policiais ou em grupos minoritários de manifestantes, a violência não é aceitável ou justificável”.

Faltou a ombudsman, no entanto, lembrar que o incentivo à violência e mesmo o seu elogio, por mais de uma vez, ocuparam espaços nobres nas páginas da Folha.

Para que não se percam pela memória, em 04 de junho de 2015, no artigo “Síndrome do restaurante cheio”, comentando as várias agressões sofridas por petistas, a Folha pontuou: protestos desse tipo fazem, sim, parte da democracia, assim como os aplausos e elogios”.

Eram agressões, mas o que recomendava a Folha às vítimas?

“Como ensinam os artistas, jogadores de futebol e celebridades “BBBs”, gorro, peruca e óculos escuros são extremamente úteis para quem não deseja ser reconhecido em local público”.

Escárnio.

Não era a primeira vez, infelizmente a Folha fazia escola, em 25 de fevereiro de 2015, no artigo “Começar de novo” a Folha enxergou agressões iguais sofridas por Guido Mantega no Hospital Albert Einstein como “a real preocupação de uma parcela cada vez mais ampla da sociedade com a ética”.

“White blocs” saídos da massa cheirosa.

A ombudsman sabe: “destemperos maniqueístas, não importa de que lado venham, não contribuem para o bom jornalismo”.

Lamento apenas que tenha sido necessário tornar-se vidraça para ter compreendido.

 

 

 

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