A Lava Jato na hora da cobra comendo cobra

Por traz das duas últimas capas de Veja a guerra pelo poder pós impeachment

Lava Jato e Veja

Que a Lava Jato tinha a intenção de derrubar o governo Dilma e tem a intenção de mandar Lula para a cadeia é do conhecimento até do mundo mineral, diria o velho jornalista.

Que Gilmar é ministro do PSDB-MT idem. Que Janot é o engavetador geral de Aécio também.

Estivessem os três alinhados, com a deposição de Dilma, a Lava Jato seria mantida apenas para inviabilizar Lula e constranger Temer a fazer a “coisa certa”, deixar o poder em 2018, não concorrer à reeleição abrindo caminho para a volta do PSDB ao poder pela “via democrática”.

Nese caso, a denúncia à Serra e a Aécio simplesmente não aconteceria. As delações da OAS e da Odebrecht trariam Lula na cabeça, Dilma no corpo e o PMDB nos membros.

Mas não, vazou-se antes que a delação de Léo Pinheiro, presidente da OAS traria acusações pesadas a Serra e Aécio, falavam de valores, de depósitos em dinheiro e dos contratos que deram origem às propunhas. Tudo com a coerência factual que as acusações a Lula em relação ao tríplex e ao sítio de Atibaia não têm.

Por que foram vazadas?

Há duas hipóteses.

A Lava Jato “republicana” – o PT não inventou a corrupção. A Lava Jato tem muita informação sobre os governos do PSDB, antecessor do PT e único partido viável a assumir a presidência da República que foi poupado. E, neste caso, foi poupado até aqui. A Lava Jato estrategicamente teria concentrado forças no PT para obter o apoio midiático necessário a fazer de letra morta o Código de Processo Penal é assim obter provas utilizando “métodos heterodoxos” de investigação.

Como sua intenção final seria refundar a República, logo, com o PT fora do jogo político, passam a surgir as denúncias sobre os tucanos.

É a hipóteses heroica da Lava Jato. Enfrentaria agora seu principal combate. Teria contra si o chefe, ou seja, o PGR, que segurou o quanto pôde as acusações contra Aécio, o STF do ministro Gilmar e a própria mídia que até aqui era sua fonte de poder.

Teria de se apoiar apenas na indignação generalizada da opinião pública. Nessa hipótese, a Lava Jato seria imediatamente enquadrada. E a capa de Veja com Toffoli e as reações de Janot e Gilmar Mendes a ela seriam sintomáticas de que o enquadramento já começou.

O próximo sintoma seria o juiz Moro começar a discordar dos Procuradores. Moro é o mais frágil dos integrantes da “força tarefa”. Aliás, devolveu o passaporte da mulher de Eduardo Cunha. Interessante como tenha conseguido fazê-lo já que não encontrava seu endereço para intimá-la a depor.

Se for assim, assim será, mas deixará ressentimentos que serão cobrados em momentos futuros. As informações existem e estarão bem guardadas. Poderia-se alegar que os arquivos da ditadura de 64 também existem e estão incógnitos até hoje. Não é o caso. Os arquivos da ditadura falam dos crimes da ditadura. Nesse caso, é autodefesa. No caso da Lava Jato, falam dos crimes dos poderosos, seriam, no mínimo, uma permanente fonte de constrangimentos.

A segunda hipótese é da Lava Jato como “cabo eleitoral” – isso significaria que a oligarquia que nos governa já teria escolhido o sucessor de Temer em 2018 e não seria nem o próprio Temer reeleito, nem Serra, nem Aécio.

Nessa hipótese, o recado já foi dado. Haverá ainda contra eles muito calor, mas nenhuma luz. Caso aceitem que estão fora do jogo. Neste caso, a Lava Jato permanecerá ativa, mas, na face pública, atuará apenas para mandar Lula para a cadeia. Na face oculta, haverá muitas facadas pelas costas.

As duas últimas capas de Veja somadas seriam o sintoma. São antagônicas, mas complementares. Em uma,  a Lava Jato foi além do que devia, precisa ser controlada e, na outra, a Lava Jato está sendo cerceada para proteger Lula, Dilma, Serra e Aécio. Dois caminhos a ser seguidos, bastando apenas que a escolha da conveniência por um deles seja feita.

A Lava Jato como arma de pressão: se for conveniente, ela, devidamente controlada, se restringe a Lula e acaba logo após a sua prisão, ou, se  for conveniente, ela “abre os braços acolhedores” a outros políticos.

Mas, não sendo Temer, Serra ou Aécio, quem seria o escolhido? Quem é o delfim da plutocracia, da oligarquia que passou a nos governar a partir do afastamento de Dilma?

Seria coincidência Alckmin ser o único político de abrangência nacional a ser poupado, com tudo que pesa sobre ele, de massacres nas periferias de São Paulo a espancamento e coação de estudantes e professores, da crise de gestão de recursos hídricos a crateras surgindo no meio da rua e engolindo as obras do Metrô, além de vidas humanas? Da polícia barra pesada dos seus governos às voltas com o PCC a auxiliares tão próximos envolvidos em escândalos? E principalmente dos escândalos envolvendo as empresas Siemens e Alstom, os escândalos do trensalão e do eletrolão paulista, podendo conter as suas digitais?

E ainda falam da blindagem de Aécio. Pobre Aécio, não segura um peido.

Quando lembramos que Temer, em um caso menor, tornou-se inelegível por conta do TRE de São Paulo e que seu ministro da Justiça, que controla a Polícia Federal é homem de Alckmin, não me parece que Temer esteja em uma posição de força em relação ao governador paulista.

E é bom lembrarmos sempre que o PSDB de São Paulo vive a sua eterna guerra entre os grupos de Covas-Alckmin e FHC-Serra.

Bem, caso essa seja a hipótese verdadeira, a guerra se tornará intestina. Temer e sua camarilha e Serra jogando nas sombras recomendaria cautela até a Asmodeu.

E se assim for, melhor. Fodam-se todos.

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