Haddad e a cabeça do paulistano

Haddad tem bons resultados a mostrar, porém, sua campanha precisará se descontaminar do mal estar federal, além de saber lidar com o copo meio vazio do mau humor paulistano, se quiser ser reeleito.

São Paulo

O copo meio vazio do mau humor paulistano

O paulistano sempre teve uma relação de amor e ódio com São Paulo. Uma pesquisa da Rede Nossa São Paulo de janeiro de 2016 mostra que historicamente 56% dos paulistanos deixariam a cidade se pudessem. Agora, 68% responderam que desejam deixar de morar em São Paulo.

Pela mesma pesquisa, sistematicamente 13% dos paulistanos sentem que a qualidade de vida piorou de um ano para o outro e 39% que melhorou. Mas na pesquisa de 2016, a relação se inverteu, 36% sentiram uma piora da qualidade de vida na cidade e apenas 23% responderam que viram melhoria de 2014 para 2015.

A cidade e o país – uma percepção contaminada

Tomando-se dados do Datafolha sobre a avaliação do prefeito de São Paulo de jul16 é possível notar-se que essa sensação de mal estar é fortemente contaminada pela questão federal. Quando o país vai bem, o paulistano vai bem; quando o país vai mal, o paulistano vai mal.

Os momentos de maior satisfação do paulistano com sua cidade se dão justamente nos períodos Lula-Dilma, entre 2003 e 2013. Momentos de forte crescimento econômico do país. E os momentos de menor satisfação do paulistano se dão no período FHC de 1997 a 2001, um período de forte crise econômica. E, por óbvio, entre 2013 e 2016 – a nossa crise atual.

satisfação com São Paulo

É nesse ambiente que Fernando Haddad vai buscar a sua reeleição à prefeitura de São Paulo.

O que a Folha não diz

Haddad está bem na cabeça do paulistano.

Um dado estranhamente não divulgado pelo jornal Folha de São Paulo referente à pesquisa Datafolha para as eleições de São Paulo 2016 que mostra que Haddad é o preferido dos paulistanos na intenção de voto espontânea – lidera com 6% das intenções com Russomanno atrás com 4%.

Datafolha espontânea SP jul16

E eis um mistério que a Folha não explica. Como Haddad partindo de 6% de intenção espontânea de votos vai a apenas 8% de intenção de votos na consulta estimulada, enquanto Marta Suplicy com 2% na espontânea vai a 16% na estimulada e Russomanno saindo de 4% de intenção espontânea de votos alcança 25% na estimulada. Haddad cresce 2 pontos percentuais, Marta cresce 14 pontos percentuais e Russomanno cresce 21 pontos percentuais de um modelo de consulta para outro. Mistério.

A pesquisa mostra também um paulistano com alto grau de indecisão, 80% dos paulistanos não sabem em quem votar ou pretendem votar em branco ou nulo.

Datafolha espontânea 2 SP jul16

O paulistano contraditório

Somente a contaminação subjetiva do mal estar com o país explica o índice de 48% de “ruim e péssimo” e apenas 14% de “ótimo e bom” na avaliação de Haddad, segundo a pesquisa do Datafolha de julho de 2016.

Datafolha SP jul16

Os resultados objetivos de Haddad são muito bons.

Segundo ainda a Folha de São Paulo de 16 de julho de 2016, em um assunto que envolve Município, Estado e União – 79% dos paulistanos consideram que Haddad fez pouco pela saúde. Está claro para o paulistano o que cabe cada um dos entes federativos?

Haddad precisará deixar isso claro aos eleitores.

Até porque, dos paulistanos que recorreram às AMAs e UBSs – a estrutura de assistência médica do município – 48%, em média, avaliam o atendimento como “ótimo e bom” e somente 18%, em média, avaliam como “ruim e péssimo”.

Haddad também tem grande aprovação em outras ações suas. 48% são a favor do fechamento da Avenida Paulista aos domingos para servir como área de lazer. 59% a favor das ciclovias e 72% a favor do Programa Braços Abertos de assistência a dependentes químicos.

opinião do paulistano

Isso para não falar dos corredores de ônibus que já se incorporaram ao transporte público de tal maneira que sua aprovação nem mais é avaliada em pesquisas. E da redução da velocidade nas vias públicas que diminuiu em 46% o número de mortes na Marginal Tietê e em espantosos 61% na Marginal Pinheiros – quem é de São Paulo sabe bem avaliar o que isso significa.

Haddad e a cabeça do paulistano

Haddad tem objetivamente bons resultados a mostrar. É provavelmente o melhor e mais operoso prefeito em muitos anos. Contudo, sua campanha precisará saber lidar com o copo meio vazio do mau humor paulistano se quiser ser reeleito.

E isso passa por conseguir se descontaminar do mal estar federal.

 

PS: a pesquisa da Folha traz um dado interessante sobre Marta Suplicy – candidata pelo PMBD. Na intenção de voto espontânea, dos candidatos que se declaram petistas, 7% pretendem votar nela. Dos eleitores do seu atual partido, ninguém pretende votar em Marta. Os peemedebistas vão de Russomanno 5% e de Paulo Skaf, que nem candidato é, outros 5%, mas não votam em Marta Suplicy.

 

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1 comentário

  1. Haddad é o tipo de prefeito para ficar por quatro ou cinco mandatos. Deixaria a cidade funcionando quase perfeitamente pois neste tempo superaria até os desleixos do gov. estadual.

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