O escorpião e nós, o sapo – a Folha repete a fábula.

Como, através de uma trucagem estatística, a Folha tenta convencer a população a dar um voto de confiança a Temer pelo tempo necessário a tornar o golpe irreversível.

o escorpião e o sapo

O editorial da Folha de 17 julho de 2016 faz uma incorreta interpretação de dados estatísticos para chegar a uma conclusão que lhe é conveniente: o governo Temer está trazendo uma retomada da confiança da população.

 “O governo de Michel Temer aparece com aprovação tão escassa quanto a da última avaliação da presidente Dilma Rousseff antes de ser afastada, mas sua reprovação é menos que a metade da votada à antecessora. Ampla parcela ao definir a gestão até agora interina como regular, sugere uma atitude de compasso de espera”.

Nada mais falso.

Ocorre que a Folha faz uma comparação indevida. Compara dois momentos diferentes dos governos Dilma e Temer.

Toma a avaliação de Dilma no auge da campanha pelo seu impeachment, quando a própria Folha com suas manchetes e editorias – “Brasil em Crise” e “Petrolão” – arregimentava a classe média branca a ir às ruas protestar.

E a compara com o início do governo Temer, quando sumiram do noticiário da própria Folha as palavras crise e corrupção e não se noticia os protestos contra Temer. Embora o “Fora Temer” já tenha se tornado um bordão popular.

Seria ingenuidade acreditar que o término da guerrilha midiática não traria por si só melhoria na avaliação do governo. Fosse ele Dilma, Temer ou qualquer outro. Atribuir a melhora a um suposto voto de confiança a Temer é forçar uma relação causal indevida.

O correto estatisticamente é avaliar os governos de Dilma e de Temer em dois momentos similares. É o que faremos.

Entre 09 de junho e 16 julho de 2016, três institutos – MDA, IBOPE e Datafolha – divulgaram resultados de pesquisa sobre a avaliação dos dois primeiros meses do governo Temer.

Avaliação Temer

Usaremos a média dos resultados dessas pesquisas e a compararemos com os resultados da pesquisa CNI IBOPE de dezembro de 2014, cerca de dois do início do segundo mandato de Dilma.

Dilma x Temer

Nota-se então que não há nenhum compasso de espera representado no índice de “regular” atribuído a Temer. Dilma, no pós-eleição, tinha índice similar de regular e inferior de ruim e péssimo. A população, aí sim, estava dando um voto de confiança a Dilma, mas nos, hoje, estratosféricos 40% de ótimo e bom.

O que há é desconhecimento do governo Temer – 18% dos entrevistados não souberam opinar sobre ele. Mas, dos que o conhecem, somente 13% o aprovam. Não por coincidência, o mesmo índice de aprovação de Dilma quando o golpe a afastou temporariamente do poder. A população não enxerga melhorias com o início do governo Temer. Sequer vê qualquer mudança em relação ao pior momento do governo Dilma.

A proteção da Folha a Temer não melhorou-lhe os índices. Não é torcendo os números que a Folha vai melhorá-los.

Que a Folha apoie o golpe parece ser de sua natureza – como seria a de um escorpião. No entanto, que com trucagens estatísticas tente nos convencer a dar algum voto de confiança a Temer é nos tomar pelo sapo da fábula.

E, nesse caso: Fora Temer.

Antes que os tais índices de “regular” e “não sabe” transformem-se em “ruim e péssimo”, mas já seja, então, como ocorreu ao sapo da fábula, tarde de mais para revertermos o golpe e a sua ferroada .

 

PS.: esta Oficina executa trabalhos de reparo e manutenção de curvas normais.

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