Pesquisa Datafolha e o candidato ninguém

O descrédito com a política é o principal risco das eleições de 2016. O risco de eleger ninguém para prefeito.

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Datafolha não disponibilizou os dados completos da pesquisa realizada em julho de 2016 sobre a eleição para prefeito de São Paulo. Por exemplo, não sabemos o resultado da intenção de voto espontânea. Um dado importante para saber quem está na cabeça do eleitor.

Mas provavelmente não será muito diferente da pesquisa IBOPE-SETCESP. Uma eleição a ser decidida no decorrer da campanha.

Espero que os dados restantes sejam publicados neste fim de semana, mas, desde já, Folha e IBOPE concordam: os eleitores estão altamente indecisos, inclusive com a política em si.

Russomanno empata com ninguém

Com 9 pontos percentuais sobre o segundo candidato, Celso Russomanno deveria ser considerado um barbada. Mas não é.

Celso Russomanno tem atualmente 25% das intenções de voto e Marta Suplicy tem 16% de intenções.

Mas entre Russomanno e Marta existe uma considerável massa de eleitores indecisos. E essa massa de indecisos é grande o suficiente para jogar Marta para um terceiro posto. Celso Russomanno empata na margem de erro da pesquisa com “Branco, nulos e não sabe” que somam 23%.

Datafolha 1 jul16

E nesse enorme contingente de indecisos Russomano pouco deverá buscar de votos a mais. Russomanno é uma figura notória há muitos anos. Apresentador de programas de televisão popularescos, onde se apresenta como um justiceiro das causas dos mais fracos, e ligado a Igreja Universal de Edir Macedo. Está em campanha desde 2012, quando perdeu para Haddad na reta final. Embora então também tenha liderado toda a campanha. É possível que tenha batido no teto antes da campanha propriamente dita ter começado.

Há ainda uma forte contaminação dos resultados pela presença de candidatos com pouca intenção de votos, mas que somados compõem um conjunto de 12% das intenções.

No terceiro pelotão formam Luiza Erundina com 10% das intenções de voto e Haddad – o prefeito – com 8% das intenções. João Dória o candidato de Alckmin – o governador- está com 6% de intenções e voto.

Prefeito e governador seriam maus candidato e cabo eleitoral. Ônus de ser governo.

Ninguém herda os votos de Russomano

Mas é possível que Russomano sequer chegue a participar das eleições. Caso a Justiça confirme sua condenação por peculato.

E aqui nota-se mais uma vez a questão dos indecisos. Quando Russomanno sai, são justamente os contingentes de “Brancos, nulos e não sabe” e o de “Outros candidatos” os que mais crescem. 7 e 6 pontos percentuais respectivamente.

Datafolha 3 jul16

Nesse cenário, os indecisos vão a 30% e Marta Suplicy vai a 21% das intenções de voto.

Datafolha 2 jul16

Russomanno tem seus eleitores principalmente entre os menos escolarizados e de menor renda. Eleitores majoritariamente das grandes periferias da cidade anteriormente identificados com o PT. Não é de se estranhar que agora, com o pé em duas canoas, Marta, candidata pelo PMDB e ex-prefeita pelo PT, ainda consiga um bom recall. Mas é uma posição de incoerência. Oposição quando interessa criticar o “PT do mau”, situação quando interessa lembrar do “PT do bem”. Haddad paradoxalmente tem se mostrado um candidato palatável às classes médias, ninho do antipestismo.

O ônus de ser governo e a vitória de ninguém.

No momento atual, estar no poder é um ônus. PT e PSDB pagam esse preço. O interessante é que o PT, e Haddad por contaminação, está sob forte ataque midiático e o PSDB ao abrigo. Marta Suplicy inteligentemente faz nenhum esforço de se identificar como a candidata de Michel Temer.

O que só reforça que estas serão eleições de desencanto com a política. Momento ideal para o surgimento de um nome novo e risco do surgimento de um aventureiro – o “salvador da pátria”.

Esse “salvador” normalmente tem o perfil de um Russomanno. Mas Russomanno é novo? E Marta? E Erundina?

Estas são eleições que serão decididas na campanha.

Haddad tem um conjunto grande de obras aprovadas pelos eleitores, corredor de ônibus, a Paulista aberta aos domingos, as ciclovias, a redução dos acidentes trazida com a redução da velocidade das avenidas e marginais e o aumento substancial de vagas em creches. Para não falar de um premiado trabalho de apoio aos dependentes químico da cracolândia que eram tratados a cacete pelos governos anteriores.

Mas tem contra si justamente o ônus de ser governo em um momento de descrédito da política, pelo menos da política como a conhecemos até aqui. Porque a política sempre será inerente ao ser humano. Novos agentes políticos estão surgindo.

Estão nas redes sociais, na sua juventude, e nos grupos de ação social. Na nova mobilização por ideias e não por partidos.

Logo, se Haddad quiser ter sucesso, terá de fazer a campanha voltada para os novos agentes da política. Mostrar-se como um vetor de institucionalização da sua vontade de participação. Talvez, dos candidatos que se apresentam, só ele possa.

Caso não obtenha sucesso, ninguém é o candidato favorito, mas será o segundo colocado que assumirá o poder. E esse segundo colocado, hoje, ninguém pode afirmar quem seria.

 

 

 

 

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