Verde, vermelho e preto – foi bonita a festa, oh pá

Para Portugal, mais importante do ser o campeão da Eurocopa-16, é ser o campeão da Eurocopa-16 sem Cristiano Ronaldo na final. O futuro do futebol de Portugal agradece.

Eurocopa-16

Um grande Portugal coletivo.

Nada teria acontecido, se a Argentina tivesse ganhado a Copa América de 2016, seria só mais um não-acontecimento. Como se também a Alemanha tivesse ganhado a Eurocopa de 2016. Não-acontecimentos acontecem, mas de tão rotineiros e previsíveis somam-se inapercebidos.

Mesmo a França, com um campeonato mundial e duas eurocopas não seria novidade. Novidade seria a Inglaterra ganhar alguma coisa. Mas a fleuma britânica ainda a coloca como a campeã do mundo. Tal qual o Brasil, “we are the champions of the world”.

Mas Portugal e Chile são diferentes. Simbólicos dos acontecimentos destes tempos tormentosos nos quais mais nada é certo. E assim, essas duas conquistas passam a ser mais do que conquista futebolísticas. São sinais dos tempos.

Quanto à vitória de Portugal e seu caminhar até ela, nenhum reparo. Ter ganhado um único jogo no tempo normal e ser o campeão não é mais singular do que o Brasil ter ganhado todos os jogos e chegado em terceiro lugar na Copa do Mundo de 1978. Apenas o seu oposto – melhor para Portugal.

Mas, para Portugal, mais importante do que ganhar da França na final, foi ganhar da França na final sem Cristiano Ronaldo. O futuro do futebol de Portugal agradece. Tudo que Portugal não necessitava era de mais um Eusébio.

Cristiano Ronaldo não é tão grande como Eusébio. Não tem como sê-lo.

Mas apesar de toda a grandeza irônica e trágica contida na figura de Eusébio, Portugal não precisa de mais um herói. Um nome grandioso e solitário a arrastar-se por décadas como lembrança de uma grandeza que ficou no passado. Desgraçado o país que necessita de heróis.

Tampouco Portugal precisa de seu Romário. Único papel que Cristiano Ronaldo poderia desempenhar.

E como avaliar o que representa para Portugal ter sido Éder a marcar o gol da vitória?

Grande sorte.

Por tudo, por toda sua história, e pelo futuro quer Portugal necessita construir, grande sorte que se veja campeão no rosto de Éderzito e não no de Cristiano Ronaldo.

Houvera sido CR7, e o risco seria Portugal passar a considerar-se, a partir de então, como um país de brancos europeus e de classe-média. Virara Brasil.

Ninguém merece, de vira já basta o vira. O vira do Ipiranga.

PS.: nesta Oficina, assistiu-se a final com a música “Tanto mar” de Chico Buarque de Holanda substituindo a narração de Galvão Bueno.

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