O insentido das coisas

placas

Tudo que se assina é uma mentira,
o meu nome numa lápide
atestando uma realidade fugitiva.
Tudo que se assassina
é uma verdade incômoda,
é um encontro marcado
com um segredo revelado.
Todo teorema anunciado
no enunciado do problema.
Sem solução, tudo que é feito
já está inacabado.
Tudo que me mata,
uma necessidade intestina
que em vida me destina
a olhar-me nos olhos
do verme que me aguarda.
Tudo que me fortalece é morte… adiada.
Tudo que me impede é uma vontade,
uma placa de contramão,
o sentido anti-horário do turbilhão.
Tudo que me impele é desejo,
um beijo úmido e vital,
uma fissura no meu túmulo imortal.
Todo patrimônio é dúvida.
Tudo que me afirma, indecisão.
Tudo que me satisfaz é ilusão.

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