Michel Temer – não sei quem é, mas não gosto dele.

Se há algo que a pesquisa CNT mostra com clareza é que ninguém está entendo nada claramente. Algumas reflexões sobre a pesquisa CNT/MDA, além do óbvio.

CNT 131

Michel Temer – não sei quem é, mas não gosto dele.

Michel Temer, vice-presidente desde 2010, não deveria ser o desconhecido que é. E, no entanto, é o que mostra a pesquisa da CNT– Confederação Nacional do Transporte.

Há um mês na presidência interina, depois do ruidoso processo de impeachment da presidente Dilma, e a principal opinião da população sobre seu governo é “não sabe/não respondeu”, em 30,5% das entrevistas. Seguidos de 30,2% de um “regular” que necessita ser relativizado, já que “regular” costuma ser a opinião de quem não tem opinião.

Isso está longe de ser um sinal de que a população está concedendo um período de graça a Temer para após isso formar a sua decisão. Basta ver os índices seguintes – “ruim e péssimo” somam 28%.

aprovação

Mas pode ser sintomático de que a população em geral não acompanha o processo político, que acaba polarizado apenas pela parte mais escolarizada da população. Nesse cenário, sem destaque midiático, mesmo um presidente fortemente contestado como Temer o é acaba passando desapercebido do grosso do povo.

Interessantíssimo é o quadro sobre intenção espontânea de voto para presidente da República. Nele, Temer consegue ficar atrás da própria presidente Dilma. Ela com 2,3% e ele com 2,1% das intenções. Lula continua a ser o grande líder político do Brasil com 8,6% das intenções espontâneas de voto, seis anos após ter deixado a presidência. O PSDB não é mais alternativa de poder democrático. Aécio, seu candidato melhor colocado, despencou de 10,7% em fevereiro de 2016 para 5,7% agora em junho. Alckmin e Serra não somam 1% cada um.

espontânea jun16

 

Para os que ainda acham que não foi um golpe a deposição da presidente Dilma, quem não tem voto está no poder.

O governo mais corrupto de todos os tempos, desde 2003

Outro aspecto não obvio da pesquisa, mas de grande relevância, diz respeito ao poder do massacre midiático ao qual o governo Dilma foi submetido. Acabou por distorcer a compreensão da população sobre as razões do impeachment.

Claro está que seria pedir demasiado que a população entendesse as razões de algo que não é razoável. Tanto que, para justificar o processo de afastamento da presidente, criou-se um termo “guarda-chuva” – as tais “pedaladas fiscais”, seja lá o que isso signifique. E deixou-se à imaginação de cada dar-lhes algum significado.

Pois bem, nem isso foi entendido pela população. O massacre midiático foi de tal sorte que acabou por responsabilizar a presidente pela “corrupção do país”. Justo o governo que criou as condições para, ou, pelo menos, não obstou, que a corrupção fosse investigada e punida. Apud Romero Jucá.

Pois bem, somente um terço dos entrevistados apontou as pedaladas fiscais como razão para o impeachment, ainda que 61,5% considerem legítimo o processo de impeachment.

Os quadros abaixo falam por si mesmos.

tabela 30

Tabela 25

Por fim, se há algo que a pesquisa CNT mostra com clareza é que ninguém está entendo nada claramente.  Melhor para quem está ganhando com a confusão.

 

 

 

 

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