O leito de morte do prudente

Leito

Teu palmo e meio de terra,

teu quadrilátero de tijolo,

teu pão sovina,

teu viver aos poucos.

Tua guia e tua ordem,

teu bocado comedido,

teu apetite contido.

Teu prazer miúdo,

consentido e não roubado,

não tomado de ninguém.

Teu salário e teu vintém.

Teu amém.

Teu olhar mesquinho,

teu guardado e teu resguardo,

teu temor do amanhã.

Teu orgulho de medíocre,

teu cuspir nos descaídos.

Teu desejo recôndito,

tua maldição nunca rogada.

Deixarás para teu filho

como forma de consolo,

já que não lhe deixas ouro?

Teu amar a crediário.

Os teus sonhos?

Roupas velhas no armário.

Teu querer nunca pleno,

teu café pequeno.

De que te valeu tanto cuidado?

Grita, então, teu “filho-da-puta” sufocado.

Teu tempo de pecado está perdido,

vá para o inferno

como um homem abençoado.

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