O homem que matou o facínora… à traição

Eduardo Cunha não é tolo, sabia o que aconteceria consigo a partir do momento em que o impeachment da presidente Dilma se tornasse um fato palpável. Por que seguiu em frente?

Cunha

Muito do jogo bruto que esta sendo jogado no golpe que estamos assistindo ser levado a cabo no Brasil ficará para ser revelado um dia.

Que Eduardo Cunha foi mantido no posto de presidente da Câmara dos Deputados porque isso interessava aos que defendiam o impeachment é coisa de conhecimento público.

Que foi removido agora porque, obtida a aprovação da admissibilidade do impeachment, sua presença fede é coisa para quem tem nariz.

Que isso iria acontecer era pedra cantada desde que Cunha assumiu a presidência em fevereiro de 2015. Cunha não é um ingênuo, sabia que o impeachment era moeda de troca para negociar, mas jamais entregar. Enquanto o tivesse, manteria governo e oposição ao seu lado.

Durante todo o ano passado soube fazer o que melhor sabe fazer, chantagem. Levou o que queria. Por que entregou o impeachment?

Não, a questão não é por que aceitou o pedido de impeachment. Isso é claro. Aceitou porque o PT apoiou sua denúncia na comissão de ética. Cunha teria de retaliar. Em 02 de dezembro de 2015 aceitou o pedido que vinha cozinhando como se cozinha um galo, por longo tempo e com pressão.

Cunha jamais temeu a comissão de ética, fez dela o que quis e ela fez o que ele quis que ela fizesse.

Aceitar o pedido de impeachment foi apenas aumentar o preço a ser cobrado dos dois lados interessados. Mas, bastaria manobrar como sempre fez e retardar a instalação da comissão que analisaria o pedido. Enquanto não a instalasse nada aconteceria e ele continuaria “valorizado”.

Cunha sabia que entregar o impeachment era entregar a si mesmo.

Não à toa, a legislatura de 2016 se instala em fevereiro e até meados de março Cunha não parece interessado em dar prosseguimento ao processo. Dizia-se que o impeachment havia esfriado.

Por que de repente tudo muda?

Em 17 de março, reparar na data, a Comissão é instalada e em 30 dias todo o rito determinado pelo STF é cumprido a toque de caixa com tal denodo por Cunha que acaba por torná-lo seu campeão. O impeachment não sairia sem Cunha – festejavam os que pleiteavam sua anistia.

17 de março de 2016, Cunha colocou sua cabeça na guilhotina.

Cunha cuidou pessoalmente de cada detalhe que garantisse a aprovação do impeachment no menor tempo possível. Poderia ter feito o contrário e prolongado da mesma forma como retarda a apreciação de seu caso pelo comitê de ética. Teria para tanto a ajuda da bancada do governo e seus recursos. Sempre poderia dizer que cuidava da preservação do amplo direto de defesa.

Por que não o fez?

Entregando o impeachment nada mais teria a protegê-lo.

Cunha não é um ingênuo, sabia que o impeachment era moeda de troca para negociar, mas jamais entregar. Enquanto o tivesse, manteria governo e oposição ao seu lado.

Muito do jogo bruto que esta sendo jogado no golpe que estamos assistindo ser levado a cabo no Brasil ficará para ser revelado um dia.

Mas não que não exista pelo menos uma pista a ser analisada.

No dia 15 de março de 2015, reparar da data, dois dias antes da instalação da comissão do impeachment na Câmara, uma notícia chamou-me a atenção, mas passou aparentemente despercebida pelos analistas de seus potenciais efeitos:

“STF manda para Moro processos contra mulher e filha de Cunha na Lava Jato”.

Atendendo a um pedido de Rodrigo Janot, o ministro Teori Zavascki desmembrou um caso clássico de crime conexo e mandou para o juiz Sergio Moro a esposa e a filha de Cunha. No chamado “julgamento do mensalão”, crime conexo foi o argumento utilizado pelo ministro Joaquim Barbosa para julgar réus comuns na ultíssima instância. Talvez, então, a tese não se aplicasse.

Que a Vara de Curitiba presidida por Moro não segue o código de processo penal, tal qual um tribunal de exceção, é ocioso relembrar. Prisioneiros cumprindo pela de prisão preventiva debaixo das barbas do Estado Democrático de Direito. Pobres donzelas, belas recatadas e do lar.

Mas Moro pareceu se esquecer do caso das duas mulheres de Cunha. Enquanto isso, ao contrário, Cunha passa a ser especialmente ativo em busca de cassar o mandato da mulher que o ocupa a presidência da República.

Agora os jornais noticiam que as duas serão denunciadas. Dois dias após de o relator do Senado apresentar um parecer favorável ao prosseguimento do impeachment e um dia após o ministro Teori Zavascki, tendo meditado por longos quatro meses, aceitar o pedido de afastamento de Cunha feito por Janot. Literalmente, Cunha foi cassado, antes de Dilma, mas depois de Dilma. Coisas do Brasil.

Janot e Moro, Janot e Zavascki, Janot, Zavascki e Moro. Sempre os mesmos personagens dançando em passo marcado como no poema “Quadrilha”. Tudo no seu tempo certo.

E como no poema há quem não ame ninguém.

E talvez quem quebre acordos e corações. Quem sabe?

Nenhuma lágrima derramada por Eduardo Cunha, o demônio ri dos seus serviçais.

Mas não há como não se especular que muito do jogo bruto que esta sendo jogado no golpe que estamos assistindo ser levado a cabo no Brasil ficará para ser revelado um dia.

 

PS1: Cunha ainda é a maior bancada e principalmente o maior arquivo do Congresso Nacional. Vai ser interessante ver como seus “aliados” rebolarão para defendê-lo e mais ainda como rebolarão para não defendê-lo.

PS2: esta Oficina apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

golpe nunca mais1

 

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