Sexta-feira Santa – dia 21 de abril

O Brasil e a cristandade têm em comum a reverência a símbolos de esperança nascida da dor. O herói morto e o Deus morto no presente como resgate do futuro ressuscitado em glória.

Libertas

Todo vinte um de abril é sexta-feira santa.

E como tal, é um dia de reflexão sobre a causa, sobre os que morrem pela causa e sobre os que se alimentam dessas mortes. O corpo e o sangue, o pão e o vinho das ceias dos cardeais.

É um dia para refletirmos sobre Judas e sobre Joaquim Silvério dos Reis. Que era dos reis de Portugal, tanto quanto Judas era do imperador de Roma. Ambos fizeram fortuna em vida vendendo aos poderosos a vida do herói e de Deus. Receberam mais do que mereciam, mas receberam menos do que o valor do que entregaram. Lucraram os que os pagaram.

Judas teria se enforcado de arrependimento, Silvério do Reis, por suprema ironia, foi agraciado com a Ordem de Cristo.

Judas deixou longa descendência. Silvério do Reis é uma delas. Joaquim Silvério dos Reis deixou muitos herdeiros. Vemo-los hoje em dia dando declarações à imprensa, prometendo o futuro da nação. Continuam atraiçoando e se cobrindo da glória momentânea, mas que dura uma vida. É pouca, uma vida, mas, infinita enquanto dure, resplandece tudo que dela é próxima. Suas mulheres tornam-se modelos para as mulheres de Cesar. Honestas, belas, recatadas e do lar.

O opróbrio pertence a Deus porque o futuro a Deus pertence. Deus que se vire com ele. Ao traidor basta a glória desfrutada em vida.

O oposto se dá com os heróis tomados para Cristo.

Joaquim, um nome que se presta ao traidor e ao traído. Eis uma lição para quando tivermos de escolher o lado a defender. Tal qual uma moeda, se presta a duas faces, mas só é recebida pelo Joaquim que trai.

Todo vinte um de abril é também dia de falarmos de Joaquim José da Silva Xavier.

Falarmos dos que tombam pela causa na ponta de uma corda. A corda que Judas deixou de herança para um Joaquim enforcar o outro.

Tantos Tiradentes.

Hoje, heróis da Pátria, em vida, foram traídos e apontados nas ruas como traidores. A morte por traição é sempre duas mortes. Destino dos que ofendem os poderosos.

Triste a nação que esquarteja seus heróis.

Todo Vladimir e todo Manuel e todo o que morre fiel à causa é também Tiradentes.

Todo dia vinte um de abril é dia de nos lembrarmos dos pequenos que se fazem grandes. E de como isso ofende os poderosos. Do preço que pagam por tal ofensa. Lembrarmo-nos de todos os filhos de São José Operário. Lembramo-nos dos alferes, dos Policarpos, dos tempos da Quaresma, dos carpinteiros e dos torneiros mecânicos.

Lembrarmo-nos do povo na rua gritando: “dê-nos Barrabás”.

E se lembrança ainda nos restar, lembrarmo-nos dos que morreram construindo sonhos e Repúblicas novas. De todo que é Tancredo e de seus herdeiros – os que se podem dizer legítimos como herdeiros.

Todo vinte um de abril é dia de lembrarmo-nos dos poetas tristes, filhos da nação das três raças tristes. Lembrarmo-nos de tudo que não foi, mas poderia ter sido.

Lembrarmo-nos de tudo que não deveria ser, mas é.

Mas lembrarmo-nos também de que a sexta-feira santa, entremeada pelo necessário sábado da vigília, é a antevéspera do domingo da ressurreição.

E que neste país insólito, ciclotímico e anarcocrônico é sempre vinte e um de abril.

 

PS: “Eu que não creio peço a Deus por minha gente”. Esta Oficina apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

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