Um nada a temer.

 

amar sem temer

Nada de temer o traidor.

A traição e o calvário

e o Judas necessário.

A traição é natural,

tanto quanto a podridão.

A podridão não é estranha,

é das entranhas do que já é morto.

Nada a temer.

A podridão

é, por vezes, a emissária

fétida da boa nova.

A traição intermediária

entre o começo e o recomeço.

O podre eu reconheço,

não me contamina e não o esqueço.

Nada a temer.

Nada de temer o sujo,

a sujeira há no mundo.

Nada de temer o que é imundo,

enquanto os sentimentos se mantiverem sãos.

Nossas duas mãos e os sentimentos do mundo.

Nada de temer o homem paradoxal,

o homem sem a luz e sem o sal,

o amoral sem nada o que valha,

o que se situa entre o idiota e o canalha.

Que não tendo a grandeza trágica para ser qualquer,

dos dois inteiramente, um sequer,

acaba por sê-los, ambos, na sua totalidade.

O homem paradoxal e sua completa nulidade.

É nada em tudo. Em tudo é um nada.

Um nada a temer.

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1 comentário

  1. Cheguei há pouco no seu site. Amei o texto sobre o datafalha. Esta poesia me consolará se eu precisar, espero não precisar.

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