Pesquisa Datafolha – aquilo que Oficina deu antes

Dilma nunca esteve tão bem e Lula é o cara. Marina parou para conferir. E alguém viu Aécio por aí? Não vai ter golpe – a pesquisa Datafolha de abril.

Datafolha abril cenario1

Lula e Marina lideram corrida para 2018; tucanos despencam essa é a manchete de Folha de 10 de abril de 2016.

Alguma novidade?

Só para quem não frequenta a Oficina.

A Folha finalmente da os nomes aos bois: Aécio despenca e Alckmin não participa das eleições. Como, aliás, esta Oficina já vem dizendo desde dezembro de 2015. Aécio é um fenômeno a ser estudado. Conseguiu corroer um capital eleitoral de 48% de votos. Esse foi seu resultado no 2º turno das eleições presidenciais de outubro de 2014. Em abril de 2016, um ano e meio depois, ao abrigo da grande mídia e sempre no ataque, sua intenção de votos é de 17%.

O veneno da jararaca

Em março, esta Oficina já havia chamado atenção para que a pesquisa Datafolha de então trazia uma malandragem estatística. Havia sido feita de modo a capturar os efeitos das manifestações contra a governo do dia 13, mas não capturar as manifestações em defesa da democracia do dia 18. E, embora os índices de Lula, por óbvio, tenham caído naquele instante, nem assim Aécio se segurava. Pois bem, após isso, ainda houve o ”31 de março”.

Agora ocorreu o que já se prenunciava ao longo de 2015, a inversão das curvas de Aécio e Lula. Aécio é o terceiro e Lula é o primeiro nas intenções de voto. Lula inverteu inclusive a curva de Marina Silva. Fosse na Fórmula 1 e diríamos que Lula aplicou um “X” em Marina.

Num cenário de disputa com Aécio e Marina, Lula tem 21% com Aécio em 17% e Marina com 19%.  Em um cenário com Mariana, Lula e Alckmin. Marina tem 23%, Lula tem 22% e Alckmin com 9% – tinha 11% em março.

Empates técnicos, na margem de erro?

Não.

Aécio despenca, Marina está estacionada, mas Lula, mesmo sob intenso ataque midiático-judicial, reverteu a tendência de queda. Alckmin jamais participou das disputas.

Datafolha abril cenário2

E o Serra? O Serra entrou na pesquisa somente em fevereiro deste ano com 15% de intenção de votos, mas já está saindo de fininho com 11% três meses depois.

O principal concorrente de Lula é o candidato “brancos, nulo e não sabe” com 21%. Esse empata com Lula, mas, em março, estava com 24%.

Marina Silva não é a terceira via

Aqui há algo interessante. O antilulismo tem rostos bem definidos. Quando Aécio não está em cena, quem herda seus votos é Marina Silva, e não Alckmin. Marina não é terceira via, era a segunda opção do antilulismo. Agora é a primeira.

O crepúsculo do macho

Sergio Moro, Bolsonaro e Ciro Gomes com 8% de intenção de votos, cada um. Somados dão um “brancos, nulos e não sabe”.

Para Temer só resta o golpe. Na melhor das hipóteses tem 2% dos votos. Uma grande melhora, em março contava com 1% das intenções.

Dilma nunca este tão bem

É como olhar a tragédia com óculos de lentes cor-de-rosa, mas a aprovação do governo Dilma melhorou. Seu índice de ruim e péssimo está em 63%. Nunca esteve tão baixo desde o longínquo primeiro trimestre de 2015.

Datafolha abril aprovação

Parece pouco para quem luta contra um impeachment, mas aqui também há sinais claros de uma reversão de cenários. Em vinte dias, desde as manifestações pró-democracia, esse índice caiu seis pontos percentuais. E melhor ainda, o de ótimo e bom cresce para 13%. Nunca igualmente esteve tão alto.

Dilma é resistente. Mas vender Dilma é como vender injeção de penicilina. Ela ainda é melhor que um mal pior.

Não vai ter golpe.

Para o PSDB só restou o impeachment.

Suprema ironia, o PSDB e o PSB disputariam para ver quem seria o PMBD do PMDB – ao outro restaria seria o DEM. Isso se o Kassab e o seu PSD não lhes tomasse o lugar.

Pobre Brasil.

Porém, junto com a popularidade dos tucanos, cai o apoio ao golpe. Se o impeachment necessita de apoio popular massivo, não vai ter golpe. Os ventos começaram a mudar, mas já sopram com força.

Com o impeachment derrotado, o que restaria aos golpistas?

O TSE cassar a chapa Dilma-Temer e prender o Lula.

Em novas eleições dá Marina Silva.

Claro, se houver país após isso.

 

PS1: para não dizer que não falei de flores. Miriam Dutra é o Paulo Preto do FHC. O mal já está feito, ainda que ela nada revele para a PF. O que aliás jamais deve ter sido sua intenção. Miriam já mostrou que ama animais, não mataria a sua galinha dos ovos de ouro. Não se abandona um líder ferido na estrada, assim como não se abandona uma mãe desamparada na Europa. Presto aqui também minha solidariedade a Augusto Nunes, deve estar desconsolado.

PS2: esta Oficina apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

golpe nunca mais1

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2 comentários

  1. Dilma é um remédio amargo. Quem sabe, curativo. Há, acredito, em toda esta situação um conjunto de lições que a aridez e violência ainda nos impedem de ver. Há que se avaliar a árvore por seus frutos, não por sua copa. E temos, diante de nós, respeito – para nossas angústias, excessivo – às conquistas que muitas lágrimas e sacrifícios custaram aos brasileiros mais fragilizados. Que sejamos bafejados por uma brisa calmante a nos fortalecer para nossas batalhas. Meu pensamento e meu coração estão com os incansáveis guerreiros do estandarte brasileiro. Que a Pátria, mãe gentil, os guarde e cubra de bênçãos. O Amor à nossa Casa, e aos nossos irmãos, nos manterá unidos, para sempre. Que nossos olhos possam ver a festa da Democracia e do Pleno Direito nas praças, nas casas e nas ruas.
    Te desejo um bom domingo e uma semana, sabemos tumultuada, esperançosa.
    Obrigada.
    SLP.

    Anna.

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