Não, nós Dilma não renunciarei

A construção do ideal democrático e republicano é uma obra que já dura neste mundo mais de vinte e cinco séculos, desde os romanos da antiguidade. Na Europa, custou o sangue de reis e plebeus, nas Américas o sangue cidadão. Na América Latina, há duzentos anos cobra-nos esforços democráticos. No Brasil parece assemelhar-se aos trabalhos de Sísifo – sua pedra e sua montanha.

 coração valente

“O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”. Carlos Lacerda, em 1º de junho de 1950, no jornal Tribuna da Imprensa.

 “A presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu as condições de governar o país. O Tribunal Superior Eleitoral julgará as contas da chapa eleita em 2014 e poderá cassá-la. Dilma Rousseff deve renunciar já, para poupar o país do trauma do impeachment e superar tanto o impasse que o mantém atolado como a calamidade sem precedentes do atual governo”. Otavio Frias Filho, em 3 de abril de 2016, no jornal Folha de São Paulo.

No Brasil, nossa República padece desde o seu início da doença do golpismo. A República nascida do golpe, “o povo assistiu bestializado” a sua chegada entre nós em 1889. Povo esse que até o ano anterior se dividia entre senhores e escravos com título de propriedade passado em cartório.

O início da nossa República, tal qual o da nossa independência, tem data diferente da que consta nos livros de história.

Seguiram-se uma ditadura militar, uma oligarquia, uma ditadura caudilhista e um breve interregno democrático como preâmbulo de uma nova ditadura militar.

Em cada golpe, perseguições, prisões, torturas e mortes. Execuções sumárias, assassinatos covardes e cadáveres jamais restituídos para o justo pranto e a justa sepultura. Restam, na memória, insepultos.

Tanta dor, no entanto, não foi capaz de abafar as vozes da República, atar seus braços ou destruir seu sonho – uma Pátria de iguais em direitos. Não mais senhores e escravos – com títulos de propriedade ou não.

Essa Pátria de iguais em direitos é a nossa pedra a ser levada ao alto da montanha. Somos Sísifos da Silva.

Em 1985, ao fim de mais um pesadelo – a ditadura de 64 – surge um novo sonho, uma nova República. E por trinta anos a democracia republicana pareceu-nos consolidada.

A Nova República, no entanto, não resistiu a quatro governos populares. Era uma nova República, mas não era uma república nova – renovada. Era uma república que se legitimava com o voto do povo, mas não suportava o povo no poder.

Essa nova República acabou em 2003.

Surgiu a República Nova.

O novo da  República Nova é o elemento povo no poder  – onde Lula é tão somente um rosto a simbolizá-la. Somos a República Nova dos Sísifos da Silva.

Somos mais de duzentos milhões de Sísifos Silvas cônscios de que um cidadão, qualquer cidadão e todos os cidadãos – um a um e cada um, vale um voto e que assim se constrói uma Pátria de iguais em direitos. Essa é a República Nova – nova entre nós – os brasileiros.

É essa República Nova que está sob ataque quando o mandato da presidente Dilma Rousseff, ungido pelo voto povo e legitimado por sua postura pessoal estoica e ética, recebe a ordem de “ponha-se para fora” dada pela voz da plutocracia.

Não, não somos mais inquilinos desta República, nosso país não tem mais senhorios.

Em que pese a prepotência da nossa plutocracia, é momento de cada cidadão, cada Sísifo da Silva, dizermos em voz alta:

Não, nós Dilma não renunciairei à minha Pátria de iguais em direitos – a minha pedra e a minha montanha.

 

PS 1: Nem Dilma nem Temer – aparentemente a Folha desembarca do impeachment, mas com a arrogância do dono querendo decidir “quem não pode” ser presidente do Brasil.

PS2: esta Oficina apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

golpe nunca mais1

 

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