Pesquisa Datafolha… ou como a Oficina já dizia

Finalmente a Folha de São Paulo divulga a série de dados sobre intenção de voto que confirma: Aécio Neves despenca. Aliás, como a Oficina já dizia, desde dezembro do ano passado.

março cenario 1

Um adendo necessário

Antes de comentar os resultados da pesquisa Datafolha publicada pela Folha de São Paulo em 20 de março de 2016 (aqui e aqui), cabe chamar atenção para um aspecto:

a pesquisa foi feita entre 17 e 18 de março de 2016, ou seja, captou os efeitos das grandes manifestações contra o governo de domingo e a chamada às ruas do Jornal Nacional de quarta, mas não teve tempo para captar os efeitos das manifestações de sexta, 18 de março, quando o PT e movimentos sociais botaram o povo na rua e inundaram a Avenida Paulista de vermelho.

Inevitável o sentimento de malícia. Sinto, pelo muito que prezo o Instituto Datafolha.

E isso deve ser considerado nas análises dos dados.

Aécio mais abaixo ainda

No cenário 1, enfrentando Marina e Aécio Neves, pela primeira vez, Lula não disputaria o segundo turno das eleições. Fica em terceiro com 17% das intenções de voto.

Um cenário favorável à oposição? De modo algum.

Lula esteve sob fogo nas duas semanas anteriores, chegou a ser levado sob vara para depor na Polícia Federal, foi pedida sua prisão preventiva, houve grandes manifestações contra o governo, a Lava Jato divulgou áudio de suas conversas particulares e pessoas simplesmente vestidas de vermelho eram caçadas nas ruas.

Pois bem, em cenário desse grau de intimidação ao petismo, Marina ficou estacionada na margem de erro com 21% das intenções de voto. E Aécio continua sua marcha batida para o fundo do poço, desceu para 19%. Na margem de erro empata com Lula. Não vejo como possa reverter a tendência. Se a pesquisa fosse feita na semana seguinte, não seria de espantar que Lula já o tivesse ultrapassado.

Ninguém e o salvador da Pátria

O candidato mais competitivo é o do grupo dos “votos em branco, nulos e não sabe” com 24%. Reforçando a ideia de que todo o golpismo está levando os eleitores a um desencanto com a política. Cenário ideal para o surgimento de um salvador da Pátria. Mas não será Moro, Ciro Gomes ou Bolsonaro. Nenhum deles passa de 8% das intenções de voto. Interessante que não tenham aventado o nome de Joaquim Barbosa.

Os tucanos não existem

março cenario 2

No cenário 2, com Alckmin no lugar de Aécio, não há mudanças. Lula sofre os efeitos já citados, mas o cenário não se altera, disputaria o segundo turno com Marina. Alckmin em nenhum momento participou das eleições.

Há um cenário bastante interessante. É aquele em que todos os tucanos, Aécio, Alckmin e Serra disputam entre si e contra Marina e Lula. Dá Marina e Lula no segundo turno. Os tucanos tiram votos deles próprios. Considerando a divisão do PSDB paulista, esse é um cenário que deve preocupar muita gente.

Dilma, continua ruim e péssimo. Boa notícia.

Avaliação março

A aprovação de Dilma sofreu uma reversão da pequena tendência de melhora que vinha apresentando nas duas últimas pesquisas. Seu índice de “ruim e péssimo” foi a 69%. Ocorreu uma redução de 4 pontos percentuais dos que haviam considerado anteriormente o governo como regular. Com a forte campanha midiática contrária, outra coisa não era de se esperar. Porém, o índice já esteve em 71% em agosto de 2015. Nas atuais circunstâncias, uma boa notícia para Dilma.

O impeachment ganha força

As forças de oposição têm atacado o governo em três frentes, a Lava Jato, o impeachment e a cassação do mandato Dilma–Temer no TSE. A solução TSE aparecia como a mais forma mais “democrática” de golpe porque seria seguida de uma nova eleição e a conciliação da nação.

Porém, com a débâcle tucana e a resistência de Lula nas frentes da Lava Jato, que precisaria prendê-lo, e nas pesquisas eleitorais, que precisariam inviabiliza-lo, a solução do impeachment com Temer presidente parece ser a mais viável.

Por ironia, Temer aparece nas pesquisas com 1% das intenções de voto. Atrás de Luciana Genro do PSOL e Eduardo Jorge do PV.

Como seria um futuro governo Temer? 60% dos que responderam a pesquisa Datafolha consideram que seria tão ruim ou pior do que o de Dilma.

Resumo da ópera

O último que sair apague a luz.

 

PS: esta Oficina apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

golpe nunca mais1

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