Em honra de Dona Mathilde D’Antanho

Mathilde
Dona Mathilde D’Antanho é morta
mas eu a desposo
como fora eu Pedro – o plebeu
e ela a rainha Inês.
Dona Mathilde D’Antanho me beija a boca
com volúpia e insensatez.
Seus beijos têm o sabor da embriaguez.
Dona Mathilde D’Antanho me sopra aos ouvidos
as coisas que eu lhe minto,
as coisas que eu não sei,
as coisas que eu sinto e
as coisas que não sei que sinto.
Dona Mathilde D’Antanho é flor de absinto.
Bêbado, me traduz as palavras
que a mim sóbrio não fazem sentido.
Seu abecedário ensimesmado
entre o doido e o doído.
Dona Mathilde D’Antanho me socorre
no campo de batalha onde me encontro caído,
me guarda em sua tumba
como fora eu que houvera morrido.

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