A maldição do PSDB – odeiam-se mais do que odeiam o PT.

Como dois bicudos que não se beijam, o PSDB paulista, dividido como sempre, lava roupa suja pelos jornais. Brigam as comadres, descobrem-se as verdades.

FHC + Maluf

As manchetes dos grandes jornais paulistas no mês de janeiro de 2016 têm sido madrastas para vários políticos de relevância não só para as eleições municipais deste ano, mas, talvez, muito mais para as eleições presidenciais de 2018.

Não, não falo da operação “delenda est Lula”. Com seus ridículos “barquinho” e loja de bairro de cidade do interior faturando meio milhão de reais em material de construção pagos em dinheiro e sem nota fiscal que comprove. Tampouco falo da exposição de funcionários subalternos de condomínio em cadeia nacional de televisão. Faxineiras e porteiros, constrangidos por um promotor com perguntas indutivas.

Falo da fina flor da “massa cheirosa”.

Acompanhemos:

05 de janeiro, Folha de São Paulo – ”Lu Alckmin usou aeronaves do governo mais vezes do que todos os secretários de Geraldo Alckmin juntos”. Um petardo na primeira-dama.

22 de janeiro, Estadão –”Presidente tucano da Assembleia de SP e chefe de gabinete da Casa Civil de Alckmin são citados em corrupção de merenda”. Manchete de corrupção em governo do PSDB é coisa rara.

27 de janeiro, Folha de São Paulo – ”Doria recebeu R$ 950 mil de agencia do governo federal chefiada por amigo”. João Doria Junior, pré-candidato do PSDB para as eleições municipais, apoiado por Alckmin. Justo Dória, que já se sentia tão poderoso a ponto de chamar o ex-presidente Lula de “sem vergonha”.

28 e janeiro, Folha de São Paulo –”Promotoria vê fraude de R$ 71 milhões em obra de ampliação da Marginal Tietê”. José Serra, Lava Jato, Dersa e Paulo Preto. Pacote completo.

Engana-se quem considerar tal sequência como prova da isenção da nossa imprensa. Creio que está mais afeita a uma lei da física: a toda ação corresponde uma reação em sentido contrário. Importante notarmos a ordem cronológica, três pancadas em Alckmin seguidas de uma traulitada em José Serra.

Para quem não é muito afeito à política paulista, a partir da morte de Franco Montoro, o único líder que manteve unido o PSDB, o partido se dividiu em dois grupos: o grupo do FHC e o grupo do Mario Covas. Alckmin é do grupo de Mario Covas e José Serra, por falta de opção, caiu pelo efeito da gravidade no grupo do FHC.

A ceia dos cardeias

Sempre foram irreconciliáveis, perderam eleições para o PT, mas não se uniram. Muito provavelmente está ocorrendo outra vez. O protagonismo de Aécio só veio azedar ainda mais a relação. Aécio é mineiro, não tem nada a ver com a briga, mas Aécio é Aécio.

Há tempos circula pela internet a informação de que Geraldo Alckmin sairá do PSDB rumo ao PSB do seu vice para disputar as eleições presidenciais de 2018. O PSB seria um partido para chamar de seu. Ocorre que nas eleições municipais de 2016 estão em jogo os palanques de 2018. E Alckmin fora do PSDB não vai dar palanque para José Serra. Assim, a candidatura de João Doria vem a calhar. Vaidoso ao ponto de não perceber que é inviável. Alckmin joga para perder. Para o que seu futuro ex-partido perca, entenda-se.

José Serra havia começado a namorar o PMDB de Temer – há vários PMDBs, um para cada cacique regional. Mas, com a saída de Alckmin, o PSDB paulista cai novamente no colo de Serra. Novamente o sonho ou obsessão da candidatura à presidência. Bastará inviabilizar Aécio, não é difícil.

José Serra e o grupo de FHC apoiam Andrea Matarazzo, também pré-candidato a prefeito. Mas Alckmin é o governador reeleito em primeiro turno. Tem a máquina a seu favor até 2018. Precisará deixar o PSDB apenas no prazo definido pela justiça eleitoral para mudar de partido e isso não será em 2016.

E aí entra em jogo o esquema midiático de Serra. Serra joga como ninguém esse jogo sujo. E todos sabemos que há um bom estoque de escândalos peessedebistas nas prateleiras dos jornais apenas esperando o momento de maior valorização. Alckmin é menos hábil, mas mostrou que também sabe contra-atacar.

Grupo de Alckmin contra o Grupo de Serra, novamente revivendo FHC X Covas.

Estão marcadas prévias no PSDB para o dia 28 de fevereiro de 2016. Duvido que ocorram.

Mas a decisão, seja como for, deverá ser tomada e, então, saberemos, pelo candidato tucano escolhido, qual grupo está mais forte neste momento dentro do PSDB. De qualquer sorte, o partido, mais uma vez, irá rachado para as eleições.

A maldição do PSDB – odeiam-se mais do que odeiam o PT.

 

PS: esta Oficina apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

golpe nunca mais1

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