Castelo de uma carta só.

castelo

Construí, ao longo da vida, um castelo de pessoas,

como quem construía um castelo de cartas.

Poucas, cinquenta e duas, se tanto.

Cada uma com sua efígie, cada uma com seu valor.

Montadas em um arranjo instável

como são os castelos de cartas.

Marcadas

cada uma com sua efígie, cada uma com seu valor.

Jamais joguei com elas, pensava eu.

O jogo era minha própria construção.

Elas jogavam comigo.

Cada uma com sua efígie, cada uma com seu valor.

Delas, quantas ainda tenho nas mãos?

Delas, quantas guardo nas mangas?

Quantas eu descartei, quantas me descartaram?

O jogo, acabou?

Ainda não.

O castelo se concluiu?

Jamais?

Ruiu?

Tampouco.

Apenas, as cartas têm vidas próprias,

cada uma com sua efígie, cada uma com seu valor.

De dois a dez,

ás, valete e dama.

Rei de mim mesmo e só,

eu sou carta

também.

 

 

 

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