O corno como metáfora política.

O erro de Michel Temer foi ter se aliado a Reginaldo Rossi.

coração partido

Mesmo os grandes amores, os quais valem a pena de amar, terminam um dia. Eternos enquanto durem. Mas amor assim é rompido aos gritos de acordar a vizinhança e sai-se batendo a porta. Amor para sempre, porque para nunca mais.

Há, sem dúvida, os amores de interesse. Esses rompem-se com a emocionalidade com a qual se rompe um acordo comercial. Nada de pessoal, apenas negócios.

E há o amor de corno. Esse rompe-se pelo desgaste e as futricas das rodas de conhecidos.

Como não associar o erro político de Michel Temer a esse último? Sua carta de corno.

Não que houvesse muitas opções a Temer, além de apoiar Dilma. Até que a morte nos separe, e um novo amor já na missa de corpo presente da defunta. Não havia a terceira margem do rio. O silêncio seria atestado de oportunismo pusilânime.

Mas, chamado por Dilma Rousseff a tomar uma posição, “sustenta a palavra de homem… que eu mantenho a de mulher”, Temer poderia, de onde estava, chamar uma entrevista coletiva, romper publicamente. Seus correligionários entregando os cargos e partindo para a oposição aberta. O vice-presidente simbolicamente desocupando o Palácio do Jaburu. Não tiraria de Temer a pecha de traíra, já que os pacotes permaneceriam fechados à espera da mudança para o Alvorada. Mas Temer teria tomado uma posição pública.

Temer escolheu a cartinha de corno. Vazou-a às futricas e passou a acusar a amada bandida de tê-lo feito. Quem acreditaria? Coisa de corno.

“Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo. Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã”.

Reginaldo Rossi não faria melhor.

Como ficará Temer agora?

O que fará na nada improvável situação do desfecho do impeachment ser favorável ao governo? Escreverá outra cartinha: “Errei, mas foi por amor”?

Assumindo a presidência com fama de traíra, quem estará ao seu lado quando enfrentar o seu próprio pedido de impeachment?

Quem defenderá seu governo, quando Gilmar Mendes cassar a diplomação da chapa Dilma-Temer e empossar Aécio Neves?

Entrou como corno, saiu como corno.

E, como ensina Falcão: “todo castigo pra corno é pouco”.

 

PS: esta Oficina apoia o movimento Golpe Nunca Mais.

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