O Impeachment e o parto a fórceps da democracia brasileira.

Um impeachment de Dilma levaria o país a uma espiral de governos assumindo e sendo derrubados em seguida e talvez nem novas eleições legitimassem o próximo governante.

 

Imagino que a porta dos fundos do Palácio do Jaburu seja, desde o último 02 de dezembro, um dos pontos de maior trânsito de Brasília. Com políticos da oposição e de oposição tentando convencer Michel Temer de que Joaquim Silvério dos Reis não teve do que se queixar enquanto vivo e que depois de morto nada soube da sua fama.

Pois esse é o papel reservado a Temer se não posicionar-se contra o impeachment da presidente Dilma. Traidor. Seja qual for o resultado do impeachment.

Que a aceitação do pedido de impeachment foi um ato de retaliação de Eduardo Cunha e uma tentativa de tumultuar o ambiente para em uma estratégia desesperada encontrar alguma forma de livrar seu mandato da cassação no Congresso é fato sobre o qual nem a grande imprensa de oposição coloca dúvidas.

Cunha lançou um apelo aos interesses baixos. Sempre surte efeito. Aécio Neves não vê mais motivo que deslegitime Eduardo Cunha. Os peemedebistas que circulam ao redor do vice-presidente também não.

Carece de ver se o próprio Michel Temer aceitaria rolar com o porco na lama.

Porque o preço a ser pago é legitimá-lo – Eduardo Cunha.

Se o fizer será um erro.

Um impeachment de Dilma levaria o país a uma espiral de governos assumindo e sendo derrubados em seguida e talvez nem novas eleições legitimassem o próximo governante.

Por que o mesmo veneno usado contra Dilma deixaria de ser usado contra Temer?

A situação de Temer em nada é próxima com a de Itamar Franco, em torno de quem se fechou um pacto de governabilidade no impeachment de Collor. Itamar não tinha pretensões outras.

Um governo Temer não está nos planos de nenhum postulante sério às eleições de 2018. Alckmin, Marina, Ciro Gomes e mesmo Joaquim Barbosa nada a têm a ganhar com Temer na presidência podendo concorrer a sua própria reeleição.

Fechar um acordo com Alckmin de que não concorreria em 2018 para atrair o PSDB seria considerar Alckmin um idiota. Temer assumindo trairia Dilma, por que Alckmin acreditaria em acordo de traição? Ainda mais com o fator José Serra. Os demais postulantes a 2018 nem isso teriam.

Aécio se comprometeu a solicitar a retirada a ação em que o PSDB tentar junto ao TSE cassar a diplomação da chapa Dilma-Temer?

O PMDB é um balaio de gatos que Temer nem de longe comanda. O PMDB faz oposição a si próprio. Temer assumiria e teria como primeiro opositor os correligionário que ficassem sem cargos.

A traição a Dilma colocaria o PT na oposição. O Lula na oposição seria “republicano” com seu traidor?

Restaria a Temer um semestre de presidência até a queda.

Caso houvesse tempo, o próximo a assumir seria Eduardo Cunha? Impensável.

Então, seria Renan Calheiros. Alguma dúvida do seu destino?

O próximo, então, seria Lewandowski que teria 90 dias para convocar novas eleições.

Variações a esse cenário se dariam se o impeachment fosse decidido em 2017. Mas o resultado seria o mesmo, ou pior, o presidente seria eleito indiretamente pelo Congresso Nacional.

O país em convulsão política estaria parado até 2018.

Interessa ao poder econômico?

As novas eleições legitimariam o próximo presidente?

E se o próximo presidente fosse Lula?

E se fosse qualquer outro? Que importa, a chantagem de Cunha como método pode ser aplicada a qualquer presidente.

Começaríamos tudo de novo?

Só o sucessor de Dilma em 2018 poderia ter a legitimidade para governar. Mas para tanto é preciso rechaçar o golpismo e finalmente cortar o cordão umbilical da democracia brasileira.

Somos os parteiros.

 

PS: esta Oficina apoia o movimento Golpe Nunca Mais.

golpe nunca mais1

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