O início da marcha… da insensatez.

O assunto parecia-me esgotado – a pesquisa Datafolha com as avaliações do governo Dilma, de Lula e do Congresso Nacional. Porém, dois textos me fizeram retomar o assunto.

A análise de Luis Nassif, um daqueles grandes perfumes em frascos pequenos, ”A longa marcha nacional da insensatez”, sobre a dificuldade em se traçar cenários futuros, dada a incerteza do quadro político atual.

“Nunca foi tão difícil prever cenários para o país como agora. Não se sabe o que poderá interromper essa marcha da insensatez. Uma hora cairá a ficha geral para interromper essa marcha da insensatez. A incógnita é quanto mais a crise terá que se aprofundar para se chegar ao bom senso”.

O editorial da Folha de São Paulo de 01dez2015, ”Desalento e esperança”, que de forma canhestra associa Lula e o governo Dilma com percepção da população sobre a corrupção – o desalento e, por outro lado, associa a esperança ao Juiz Moro. E onde, além de Marina Silva, Aécio Neves e Geraldo Alckmin são apresentados como virtuais vencedores das próximas eleições presidenciais – creio que também formando no lado da esperança de um Brasil sem corrupção.

“A rejeição ao governo federal é tamanha que não se contém na figura de Dilma; transborda para um ex-presidente Lula (PT) incapaz de refrear a contínua dilapidação de seu patrimônio eleitoral. … se a votação fosse hoje, sofreria derrotas incontestáveis de Aécio Neves (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede).

Uma deterioração dessa magnitude dificilmente seria produzida por um único fator. A depressão na economia decerto constitui parte da explicação. Não explica tudo… Pela primeira vez, essa lista é encabeçada de forma isolada pela corrupção, maior objeto de preocupação para 34% dos entrevistados pelo Datafolha.

A população nitidamente se cansou dessa indecência. 

Seja como for, em meio ao desalento pode-se vislumbrar uma esperança. Como diz Sergio Moro… “o que o juiz pode fazer é muito limitado sem o apoio da opinião pública”. O Datafolha atesta que a Justiça jamais teve tanto apoio”.

Pois bem, analisando os gráficos da pesquisa Datafolha ( aqui e aqui ) de 29nov2015 com os olhos de quem tenta ver quando começou essa marcha da insensatez, segundo Nassif, ou essa indecência, segundo a Folha, os pontos de inflexão desses gráficos saltam sobre esses mesmos olhos.

Não poderia ser mais revelador, início de 2015, logo após as eleições presidenciais vencidas por Dilma Rousseff – o quarto mandato consecutivo do PT.

Início do golpismo insano em que mergulhamos conduzidos pela insubmissão ao resultado das urnas.

Insubmissão essa em que Aécio Neves é um personagem periférico e, por certo, derrotado por ela também. Nada poderia ele, se não tivesse sido apoiado pelas mesmas forças reacionárias que estiveram presentes nas nossas crises anteriores – as vivandeiras castelãs. A elas, como sempre, se juntaram as vestais – corruptos que devem ser preservados – e a fonte de poder arbitrário necessária para a desestabilização do Estado democrático de direito e para a recondução das forças reacionárias ao comando do país por vias outras – anteriormente o poder militar, modernamente o judiciário.

Luis Nassif pergunta quando terminará essa marcha da insensatez, a Folha se questiona sobre o término da indecência, e a resposta é a mesma para ambos: quando, com o fim do golpismo, restabelecermos o poder democrático no Brasil.

 

PS: esta Oficina apoia a marcha do processo civilizatório.

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