Jornalismo Sadim, transformando ouro em merda.

Crescimento de 9% ao ano – ou, como a Folha transforma um bom resultado do governo Haddad em um fracasso “devastador”.

A Folha de 23nov2015 traz um editorial onde critica duramente o governo Haddad da cidade de São Paulo no que se refere às creches – ”Creches para as calendas”. Trata-se de uma crítica recorrente, repercute matéria de 19nov2015 – aqui.

Agarra-se à propaganda da campanha eleitoral de Haddad, a construção de 243 novas creches, das quais 34 foram entregues, e responsabiliza o prefeito por um efeito devastador (sic) para a economia doméstica dos paulistanos. A falta das creches restantes, quando não contribuísse para o desemprego de um dos pais, acabaria por “comprometer uma parcela considerável dos rendimentos das famílias que teriam de contratar serviços precários de vizinhos”.

Claro está que a Folha não traz nenhum dado estatístico que apoie essa afirmação. Claro está que a Folha não apresenta um quadro comparativo entre Haddad e os governos de José Serra e Kassab, seus antecessores. Nem considerações sobre a viabilidade do que seus adversários de campanha prometeram.

Sai-se, no entanto, com está: “Haddad não foi o único, não foi o primeiro e decerto não será o último político brasileiro a dizer uma coisa e fazer outra”.

Não foi o primeiro e não será o último, mas é sim único – o único a ser responsabilizado pelo editorial da Folha.

Pois bem, é possível, contudo, se reescrever o editorial com as mesmas informações nele contidas e mostrar que Haddad obteve um grande sucesso nessa questão – a das creches.

Vejamos:

“Na realidade das famílias da cidade de São Paulo, onde é regra geral os pais trabalharem, e necessitarem de deixar os filhos pequenos sob guarda de cuidadores especializados, a oferta de creches pela prefeitura é um fator que, sem dúvida, tem impacto não só na formação e segurança dessas crianças, mas até mesmo na economia doméstica.

Pais que não encontrem vagas estarão diante do dilema de um deles abandonar seu trabalho para cuidar dos filhos, quando isso é possível. A opção de bancar creches particulares ou buscar esse serviço com vizinhos ou parentes, às vezes de forma precária, pode comprometer parcela considerável dos rendimentos das famílias.

Haddad assumiu o governo municipal em 2013 com uma meta ambiciosa – a construção de 243 novas creches. Dessa meta, só 34 creches estão prontas (14%).

Parece pouco, se considerar-se que existe uma demanda de 151.755 vagas e que, em casos extremos, uma família chega a aguardar quase dois anos e meio por uma vaga. [obs.: o editorial trata do caso extremo, embora saiba que essa espera varie por distrito e faixa etária – na Barra Funda não há espera e em Perus é de 18 dias, para a faixa etária de 3 a 4 anos – a de maior espera. Isso segundo a própria reportagem da Folha de 19nov2015 citada acima]

O governo Haddad contava com verbas do Proinfância, programa lançado pelo governo federal em 2007 para ajudar prefeituras a construir 8.787 creches. Tais recursos minguaram, com a crise.

Mesmo assim, Haddad criou 56.595 vagas, com creches próprias e conveniadas, um aumento de 28% em três anos de governo. Uma taxa de mais de 9% ao ano, pela média aritmética. Um resultado expressivo, considerando-se que a economia brasileira no período que foi de um crescimento de 2,3% em 2013 para uma retração de -1,49%, prevista para 2015.

Mantido esse ritmo pelos próximos dois governos, dos quais um pode ser o de Haddad reeleito, o déficit de vagas nas creches paulistanas seria zerado. 

Para um problema que se arrasta desde que a cidade é cidade, Haddad tem bons resultados a apresentar”.

 

PS: nada a estranhar nesse editorial, os candidatos do PSDB à prefeitura em 2016 estão com traço nas pesquisas pré-eleitorais do Datafolha enquanto Haddad, com o maior índice de preferências na pesquisa espontânea – 7%, foi aprovado pela classe-media paulistana – ”Haddad, o candidato dos coxinhas” .

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