Feliz aniversário.

Dos filhos do meu pai,

não há um que eu não trate de irmão.

Mas depois do rio ter cavado seu leito

o mesmo tanto que a árvore ergueu a rama,

e agora, que rio e árvore dobraram as distâncias

em um lento afastamento mútuo,

desses que ocorrem frente aos olhos

e não se vê

se não a consequência,

só que, então, imediata

como uma revelação,

encontro, por aí, velhos desconhecidos.

E novos desconhecidos,

nos olhos dos netos do meu pai.

E um desconhecido permanente,

de há pouco percebido,

como espelho, refletido

na imagem destorcida,

que sei,

não sou eu.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s