Das tolices dos gênios.

O antipetismo está transformando em bestas aqueles a quem admiro como sendo bestiais.

Como gênero musical, a Bossa Nova é tão somente um nome bem bolado: “Bossa Nova”. Harmonicamente, não é mais que uma fusão samba-jazz. Seu sucesso internacional se dá por ser o samba que os americanos conseguem tocar. No Brasil, onde samba é como doença de nascença, a Bossa Nova foi um fenômeno efêmero, localizado e datado. Está relacionada à classe média da zona sul carioca e esteve em voga da metade dos 50 a meados dos anos 60 do século passado, quando foi substituída no gosto popular pela Jovem Guarda e pela Tropicália.

Ainda que alguém possa considerar tais afirmações como válidas, a coerência do texto acima, se existir, é tão somente a sua concordância verbo-nominal – eu não entendo nada de Bossa Nova para fazê-las. Ouço blues, enquanto leio sobre política e macroeconomia.

Caso esse alguém queira saber realmente sobre Bossa Nova, recomendo o jornalista Ruy Castro. Um craque também em cinema e em personagens pungentes do nosso futebol, além de um cronista de mão cheia do ser carioca.

Pois não é que agora Ruy deu para enveredar pela crônica política?

Ruy Castro escrevendo sobre política parece-me com o mestre Janio de Freitas escrevendo uma crônica sobre Heleno de Freitas ou Maysa Matarazzo. Não lhes faltam talento, conhecimento e vivência, por certo. Apenas que, respectivamente, não são do ramo.

E é assim que, lendo os artigos sobre política de Ruy Castro, na Folha de São Paulo, ficamos sabendo que:

– o ex-presidente Lula é um office boy de Marcelo Odebrecht.

– que Lula, em 2010, fez de Dilma presidente da República na esperança dele, Lula, retornar em 2014. Mas Dilma o traiu e não devolveu-lhe o cargo.

– que Dilma, para a política brasileira atual, tem a importância que uma cheerleader tem para o resultado de uma partida de futebol americano. Cheerleader que Ruy descreve como sendo uma lourinha de maria-chiquinha, suéter, saiote e meias 3/4, agitando pompons para a arquibancada. Lembrou-me o latinista e milionário Carlos Heitor Cony que, dias atrás, comparou Dilma a uma garota de capa da revista Playboy. Vá se entender tesão de velho.

E isso é Ruy Castro em uma breve pesquisa que compreende o espaço de menos trinta dias entre os meses de setembro e outubro deste 2015.

Os comentários políticos de Ruy não chegam ao nível e complexidade dos que temos ouvido pelos botequins. Até porque conversa de botequim é campo de outro Rui – o Daher. E se alguém não entendeu o trocadilho contido em associar Daher a campo e a botequim, é porque eu sou ruim de trocadilhos, mesmo.

Pergunto-me o que teria levado Ruy Castro a se aventurar em uma área onde o filho mais bobo do “seo” Castelinho, o jornalista Luís Nassif, tem como passatempo desmontar relógio suíço, peça por peça, calçando luvas de boxe.

Concluo que há apenas uma explicação: Ruy Castro cansou e, tal qual eu faço aqui, decidiu mandar o texto à merda.

 

Uma atualização necessária: em 09/10/2015, Castro comenta o autocontrole de Dilma frente aos vários ataques que vem sofrendo. Seria devido a uma força de caráter que os ingleses chamam de “to keep the stiff upper lip” – literalmente, manter firme o lábio superior”? Castro duvida. Para ele a razão é outra: “as plásticas e os retoques e botoxes a que se submeteu que paralisaram o seu lábio superior”.

Seria fácil adotar o mesmo escárnio de Castro e dizer que ele apenas confunde Dilmas com Martas, ou elas com a sua mãe. Seria fácil, mas seria tão grosseiro quanto.

 

PS1: para os que têm à mão dinheiro para o Alka-Seltzer, Cheer Leader, O homem errado e O lobby no dicionário.

PS2: para os que se socorrem da Farmácia Popular: Gotas de Melissa.

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