O Brasil e a quarta-feira de cinzas de um país cansado de folia.

Exaustão, talvez seja a palavra que melhor descreva o estado de ânimo atual do Brasil. E é aí que ainda reside a minha esperança.

Alguém ainda acredita que a nova capa escandalosa da Veja ou da Época abalará os alicerces do poder? E, no entanto, sábado próximo elas estarão nas bancas com o novo escândalo desta semana. Que importância isso terá?

Alguém ainda tem estômago para a prática da ética seletiva da nossa imprensa mainframe? E saco, ainda alguém tem? Ainda alguém se importa com o que escrevam?

Alguém ainda aguenta ver programa de partido da oposição dizendo que o PT é o partido mais corrupto do Brasil? E do PT pregando a ética pública ou a defesa do direito dos trabalhadores?

A cada denúncia contra o PT ou contra Lula a blogosfera apresenta uma “contra-denúncia” de mesmo teor envolvendo o PSDB e FHC em um caso anterior. Com tantos pontos em comum, como entender que um foi o lacaio do poder econômico e o outro operou o resgate do seu povo? E não foram outra coisa.

Alguém ainda sintoniza a TV Câmara para assistir a mais nova CPI da Petrobras ao vivo? Alguém ainda acha que aquilo é uma CPI?

Alguém ainda tem esperanças que Dilma tenha a solução? Alguém ainda tem esperanças que o “ajuste econômico” de Joaquim Levy traga o crescimento econômico com taxas de juros e de desemprego de dois dígitos? Que encherá as burras da banca, já é fato.

A campanha eleitoral já está posta, o “lulismo” pode ser revivido, se Lula for eleito em 2018? O Felipão ganhou sua segunda Copa do Mundo? E Alckmin, pode representar alguma transformação?

Um nome novo? Marina Silva? E Eduardo Cunha, a cada dia mais próximo de um “Napoleão de hospício”? Quem, então? Michel Temer? O PMDB é a terceira via?

Alguém ainda acredita que a “reforma política” será algo que não um Quasimodo?

Alguém ainda aguenta deputado-pastor deblaterando contra a degradação moral e enfiando jabutis em medida provisória para driblar o pagamento de impostos devidos por eles próprios e por suas igrejas?

E juiz dando voz de prisão a garçom que demorou a servir-lhe um copo de água gelada? E ministro sentado em cima de “pedido de vista” de caso já decidido?

Alguém ainda acha que o povo na rua representa o “novo”?

Alguém ainda acha que a classe média vai derrubar o governo com suas domingueiras ou batendo panela em varanda gourmet? Alguém ainda acredita na sinceridade ou consequência de suas reivindicações por melhorias na saúde e educação públicas?

Alguém sabe aonde foram parar os black blocs? Alguém ainda acredita que eles eram a juventude combativa em busca da construção de um país mais justo?

Alguém ainda presta atenção nos tais “movimentos nascidos nas redes sociais” ou em seus “líderes”? Adultecentes com cara e jeito de seguranças de baile funk de branco. E nos pós-adolescentes com cara e jeito de “garoto com dificuldade de arranjar namorada” e suas “marchas sobre Brasília”?

Alguém ainda aguenta paulistano grosseirão e preconceituoso querendo dar lição de moral para a nação?

Alguém ainda acha que haverá o impeachment?

Alguém ainda espera que o juiz Moro, o Ministério Público e a Polícia Federal na cinquentésima operação de nome estrambótico da Lava Jato encontrem alguma prova do “Petrolão”?

Alguém ainda acredita que o “mensalão do PSDB”, o SwissLeaks ou a Operação Zelotes venham dar em alguma coisa? E o trensalão ou o aeroporto de Claudio ou o helicóptero da coca?

Alguém ainda acredita que estamos inaugurando uma nova era de combate à impunidade?

Tudo nos últimos dois anos tem essa aparência de factoide. Fruta de estação. Moda de estação.Tudo tem jeito de banda teen de um único sucesso. Dura um trimestre de louca agitação e depois some sem nada agregar.

Onde ainda reside minha esperança?

Depois de tanto radicalismo estéril, depois de tanta indignação estéril, depois de tanta desfaçatez explícita, quem ganhou não levou, mas quem é do contra tampouco lucrou qualquer coisa com isso. Todos perdemos, mas ainda somos um país e não nos resta nada que não seja começar alguma reconstrução com base na racionalidade. Qual opção a isso?

Mais do mesmo?

Não, já estou com o saco cheio.

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