A defesa de Eduardo Cunha e a bunda da Paolla Oliveira.

O Deputado Eduardo Cunha, enquanto uma personagem, é singular. Afoita e conservadora e, provavelmente, transitória. Coerente e absurda, caricata e maquiavélica. O malvado preferido das esquerdas e do campo progressista. Mas talvez antes, como um homem e suas circunstâncias,  uma personagem síntese do momento político que o Brasil vive.

Um parlamentar transparente e telegráfico, quase óbvio, nas medidas que encaminha à frente da Câmara dos Deputados e, ao mesmo tempo, bismarckiano no que se refere às sombras nas quais se dão as negociações que levam a feitura das leis, se não das salsichas.

Está nas mãos de Rodrigo Janot  – Procurador Geral da República, provar alguma coisa em relação a Eduardo Cunha. Que, por ventura, seja ele um político de programa.

Políticos de programa, assim como as garotas, prestam serviços especializados ao poder econômico. E, embora íntimos, não se espere que alguma das partes assuma a relação. Assim, políticos e garotas, cobram antecipado e, por vezes, chantageiam.

Até lá, o que dele podemos dizer é que é um homem do seu tempo e que joga segundo as regras. Se as regras são sujas e os tempos hipócritas, não foi Eduardo Cunha quem as criou ou assim os fez.

Hipócritas são os tempos em que é necessário que ações policiais ocorram na Suíça para que no Brasil levemente se levante o véu que cobre os contratos para construção de metrôs, as contas de brasileiros no exterior e os direitos de transmissão de eventos esportivos. Logo após, cai novamente o véu e junto encobre os rostos dos varões de Plutarco que celebram os tais contratos. Nada mais se fala sobre o assunto.

Hipócrita são os tempos em que o jornalismo firma parceria com a contravenção e ainda assim suas matérias são acreditadas como provas judiciais.

Hipócrita são os tempos em que o combate à sonegação e a própria sonegação envolvam os mesmos personagens em cada lado do balcão e tudo corra sob segredo de justiça.

Hipócrita são os que compraram com dinheiro público de aeroportos à reeleição e agora clamam pela moralidade, dos outros.

Hipócritas são os que se querem democratas mas cospem nas urnas e buscam os golpes de Estado.

Não, Cunha não é um hipócrita. Jamais escondeu a que veio.

Suas ações mandando rachar a cabeça de trabalhadores para garantir a aprovação da lei da terceirização patrocinada pela FIESP ou, há pouco, colocando a faca no pescoço de seus colegas de parlamento para garantir a constitucionalidade da imbricação do dinheiro empresarial com a prática parlamentar foram sempre públicas. Jamais as dissimulou, jamais as tentou esconder.

Cunha jamais escondeu que não se importa ou mesmo lhe agrada o povo nas galerias da Casa do Povo. Cunha tem seu próprio povo que o reelege a cada nova eleição. Mais povo do que esse só lhe atrapalha as negociações. Caso a polícia legislativa e seu gás de pimenta não sejam o suficiente, sempre haverá o recurso às madrugadas com as portas fechadas. Sem quórum não haveria tais votações extravagantes, mas Cunha sabe que os deputados estarão no plenário como os boêmios, nas madrugadas, estarão nos botecos.

A legalidade de tais medidas? Ora, há processo no STF sobre isso. Está aguardando decisão. Deveria Cunha submeter o Legislativo aos tempos do Judiciário? Não, são Poderes independentes. E se o STF acaba por se submeter aos tempos das tramitações legislativas, responsabilidade por isso Cunha não há de ter.

A moralidade? Mas a moralidade é questão de tempo e de espaço. Eduardo Cunha é formado em economia, não em física. Que pode ele entender de tempo e espaço?

Jogou duro, ditatorialmente chegaram a dizer. Um ditador que jogou com as regras do Regimento da Casa, que levou as decisões a voto e foi seguido pela maioria. Se essa maioria é formada por trezentos picaretas, são trezentos picaretas diplomados pela Justiça Eleitoral, não por Cunha.

Eduardo Cunha é um homem do seu tempo. É tempo de murici, onde cada um cuida de si? É tempo de homens pequenos, do baixo clero? Onde estavam os grandes nomes da Câmara dos Deputados? Que os há é claro. Mas onde estavam para derrotar Cunha? Cunha chegou a presidente da Câmara eleito por seus pares.

Cunha não tem escola política, não vem das lutas sindicais ou estudantis, não vêm da política tradicional e hereditária como a nobiliarquia dos príncipes e dos cardeais. Uma breve visita à sua biografia mostra que Cunha vem da subclasse dos correligionários que orbitam os políticos notórios. Se ascendeu a um deles, foi porque para isso tem o talento necessário.

Cunha é desleal com a base política do governo ao qual seu partido pertence? Qual foi a medida do “ajuste fiscal” enviada pelo Executivo que teve qualquer dificuldade de passar sob a gestão de Eduardo Cunha? Do texto das medidas enviadas, retiraram-se os bodes que o Executivo lá havia colocado para serem mesmo tirados e enxertaram uns jabutis. Um shopping center aqui e uma “isenção fiscal evangélica” ali e as medidas foram todas aprovadas. E ainda dizem que Cunha é useiro e vezeiro em aplicar derrotas à presidente. Realmente, o dia do favor é a véspera da ingratidão.

E quanto aos arroubos de independência do Legislativo em relação ao Executivo promovidos por Cunha, devem ser criticados ou elogiados? Custam, obviamente, o questionamento sobre a validade para o momento atual do “presidencialismo de coalizão”, já que participar do governo com a vice-presidência e vários ministérios não corresponde automaticamente a votos no Congresso. É a oposição nascida de dentro do governo conforme profetizado por Sarney. Uma jabuticaba, sem dúvida, mas podemos criticar Cunha por, pelo oposto, não fazer da Câmara dos Deputados um anexo da Esplanada do Ministérios? Junte-se a isso o fim do fator previdenciário e da reeleição para o Executivo e tem-se que o que Cunha está promovendo na Câmara é o desmonte do modelo de governo de FHC. O lulismo restaria intacto, pelas medidas encaminhadas por Eduardo Cunha. Dilma é correligionária de Lula, pois não?

Cunha não é um radical, apenas faz o seu trabalho como esperam que o faça. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. E ainda que pareça desrespeitar as mais comezinhas regras da prudência em política, que garantem a longevidade no poder, Cunha, ao seu modo, é um homem ajuizado – sabe quem manda e a quem interessa obedecer.

Por fim, a bunda da Paolla Oliveira. O que ela tem a ver com tudo isso? Nada. Mas que é uma bela bunda quem há de negar?

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